Crítica: Islandês Metalhead vai de encontro aos fãs do heavy metal

Crítica | VI Janela Internacional de Cinema do Recife
A morte de um metaleiro e o fanatismo de sua irmã pela música pesada é só o começo de uma história sobre superação

Por Paulo Cavalcante

Metalhead pode ser visto de duas formas: como um drama feito para qualquer cinéfilo assistir, ou um filme para os fãs do heavy metal. O longa do islandês Ragnar Bragasson transforma o estilo de música mais pesado que se conhece como parte de uma história dramática de superação. Na trama, a jovem Hera ver seu irmão morto após um acidente, e acaba encontrando no heavy metal, que o irmão tanto idolatrava, uma forma de refugiar-se do mundo e ao mesmo tempo, manter o irmão sempre em memória. O fato é que nem Hera e nem seus pais superaram a morte do metaleiro Baldur, e isso traz grandes problemas não só para a família, mas toda a comunidade do vilarejo.
A atriz Thora Bjorg Helga é o grande destaque do filme, onde consegue apresentar uma interpretação multifaces, onde hora é uma rebelde desacompanhada, hora é uma jovem sem expectativas mais com uma crescente vontade de mudar e ser alguém na vida. Sua personagem Hera é uma menina adulta, que ainda não foi de encontro às responsabilidades mas que sabe pensar de forma madura. É nas letras das canções de heavy metal que ouve que Hera busca, por entre toda uma obscuridade e um movimento dark, a realidade que a sociedade não quer ver. E sua vida só muda quando, pouco a pouco, consegue fazer com que as pessoas ao seu redor consigam ver esse mundo da mesma forma que ela.
Metalhead tem características de uma produção bastante pessoal, com uma peculiar visão intimista do crescente movimento do heavy metal na década de 70, onde em todo o roteiro é possível notar que referências são cuidadosamente citadas e associadas a uma trilha sonora de dar gosto não só a quem é fã do heavy metal, como também a qualquer um que esteja assistindo o filme. Falando em trilha sonora, este é um ponto crucial do filme, pois são clássicos da música que embalam a todo o tempo a trama e definem o contexto da cena, como quando ouvimos “Symphony of Destruction” do Megadeath ou “Victim of Changes”, do Judas Priest, no momento em que Hera pega a guitarra do irmão e decide dali em diante ser uma “metaleira”.
Envolver a música, problemas familiares, superação de perdas e o preconceito em um drama forte e a inserção de – poucos – momentos cômicos, para quebrar o clima pesado do filme talvez tenha custado um pouco do roteiro. Do começo ao meio do filme, tudo é apresentado de forma separada – o que tornou a trama lenta – para só no final os pontos chave serem interligados, dando o melhor desfecho que Metalhead poderia ter.
Assim, quando se achava que Metalhead era um filme para agradar uma fanbase específica, quem o assiste sente-se logo imerso na trama, percebendo que o heavy metal e a música são só panos de fundo para um drama extenso e cheio de problemáticas para resolver, facilmente associadas a algum momento de nossas vidas.
Metalhead (Islândia, 2013)

Avaliação: ()

O filme foi exibido em 14 de outubro de 2013 na Mostra Competitiva de Longas Metragens da VI Janela Internacional de Cinema do Recife, em sua primeira exibição no Brasil. Metalhead entrou em cartaz na Islândia no dia 11 de outubro de 2013, sendo exibido antes na Toronto Film Festival (TFF), no Canadá.
Sinopse: É o ano de 1970 e o Black Sabbath registra seu primeiro álbum e marca o nascimento do Heavy Metal, Hera Karlsdottir nasce no chão estábulo da fazenda de seus pais, na área rural da Islândia. Os anos de sua juventude são totalmente despreocupados até uma tragédia greve. Seu irmão mais velho é morto em um acidente e Hera se culpa por sua morte. Em sua dor, ela encontra consolo na música escura do Heavy Metal e em seu sonho de se tornar uma estrela do rock (via Janela de Cinema).

Trailer:

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