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Crítica: Tatuagem abre competição da VI Janela Internacional de Cinema do Recife

Longa de Hilton Lacerda deixa rótulos de lado e toca em feridas ao abordar problemáticas reais.

Elenco de Tatuagem (Foto: Divulgação)
Elenco de Tatuagem (Foto: Divulgação)

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Tatuagem começa de forma suave e ao mesmo tempo mostra a que veio, ao apresentar seus personagens num contraste da naturalidade imersa num cotidiano que ainda choca a sociedade. É 1978 quando os personagens Clécio (Irandhir Santos) e Paulete (Rodrigo Garcia) vêem seu relacionamento ruir quando o jovem soldado Fininha (Jesuíta Barbosa) resolve entrar em suas vidas. Um triângulo amoroso é apenas o pano de fundo para uma história que tem como papel fundamental mostrar o movimento de censura imposto pela ditadura, ferindo a liberdade de expressão de jovens que estão a procura de um futuro melhor.

É então que surge o grupo teatral Chão de Estrelas, liderado por Clécio, que leva suas peças cheias de musicais e performances artísticas que escondem e ao mesmo tempo expõem nas entrelinhas as críticas ao momento político que se vive.

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Em quase duas horas de filme, vê-se em Tatuagem uma abordagem de um fato antigo que se enquadra nos tempos atuais – o preconceito, as várias formas de se protestar e a vontade de ir até o fim na luta por um ideal comum.

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O longa destaca-se não só pela trama, mas também pelos aspectos técnicos que a tornam mais sensível e real. A direção de fotografia de Ivo Lopes Araújo transforma o cenário e imerge o telespectador na imagem, sem precisar de grandes trabalhos tecnológicos. Em cena, as beliches amontoadas no acampamento do quartel militar – onde Fininha passa um pouco do seu tempo pensativo – revelam a abordagem sobre a luta entre os sentimentos de prisão e liberdade que serão abordadas no filme, no sentido político, social e psicológico.

Jesuíta Barbosa e Irandhir Santos em cena de Tatuagem (Foto: Reprodução)
Jesuíta Barbosa e Irandhir Santos em cena de Tatuagem (Foto: Reprodução)

Direção e elenco são pontos altos de Tatuagem

Como diretor e roteirista, Hilton Lacerda desenvolveu seu papel de forma minuciosa, desenvolvendo temas paralelos em torno de um tema principal sem prejudicar o andamento do que se pretendia relatar, e sem comprometer os objetivos finais da história. O elenco é outro ponto forte de Tatuagem, pela forma tímida no momento que surgiu e como se desenvolveu de maneira explosiva e mostrando um entrosamento perfeito do casting, a ponto de ser possível o espectador confundir o que é roteiro e o que é improviso ou realidade.

Tatuagem peca apenas por ser uma história desenvolvida no Recife, mas que não se preocupou em destacar a cidade. Quando a mostra, é de maneira tímida e com alguns desvios cronológicos, talvez um detalhe que passou despercebido pela edição, ou algo que não era o seu foco.

O longa de Hilton Lacerda, como dito anteriormente, aborda várias temáticas em torno de um tema principal, sendo impossível dizer que é um filme sobre isso ou aquilo – o que se pode dizer é que, deixando rótulos de lado, Tatuagem consegue tocar na ferida ao citar problemáticas reais e ao fechar arcos sem mexer com os laços entre espectador e personagem – tudo se resolve de maneira sensível e sem embates. Opta-se por mostrar um final feliz e que os momentos de lutas e dores fique sub-entendidos por quem assiste ao longa.

Filme assistido durante a programação do VI Janela Internacional de Cinema do Recife, a convite do festival.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.
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