O novo Video Show e a reinvenção da TV

A Rede Globo estreou nesta segunda-feira (18/11) o novo Video Show. O programa, agora comandado por Zeca Camargo, ganhou um novo formato e promete ser mais interativo. A estreia trouxe um palco em madeira, com um ar bem agradável para o horário vespertino, além de uma plateia.
Zeca Camargo e Susana Vieira no novo Video Show (Reprodução/Rede Globo)
O programa de estreia trouxe Susana Vieira como convidada. A atriz, já conhecida por roubar o microfone da repórter Geovanna Tominaga e ainda chamá-la de inexperiente, mais uma vez roubou a cena. Por muitas vezes interrompeu o apresentador, além de ser muito explosiva e por certos momentos, exagerada. Talvez seja o jeito dela, mas incomoda. Mesmo assim, a presença de Susana deu o tom do programa – a interação dela com Zeca Camargo, apesar dos espalhafatos da atriz, fluiu bem.
O novo Video Show então resgatou aquilo que o público queria realmente ver e que faz parte da essência do programa – os bastidores da emissora e o resgate da sua história – de uma forma mais atual para os padrões da televisão. A direção de Ricardo Waddington e os pitacos do experiente Zeca Camargo trouxeram um pouco daquilo que funciona na televisão ao redor do mundo. Neste primeiro programa, a convidada participou de um bate papo no melhor estilo talk show, em poltronas bem confortáveis, onde relembrou um pouco do seu passado televisivo, resgatado também em brincadeiras no palco à frente de um enorme telão.
Se a presença de um convidado no palco deu o tom do programa, um detalhe passou despercebido e deve ser melhorado nos próximos programas – as matérias dos repórteres Otaviano Costa, Dani Monteiro e Marcela Monteiro foram “jogadas” no meio do programa. Matérias interessantes mas que ficaram perdidas quando poderiam ser chamadas pelo apresentador, entrando no roteiro do programa de estúdio. Além disso, fica a dúvida se a presença de outros convidados funcionará tão bem quanto na estreia. Isso só o tempo dirá.
A decisão da Rede Globo de reformular o Video Show veio com a proposta de frear o avanço das concorrentes na disputa por audiência. Uma decisão de fato acertada – enquanto outras emissoras apostam em reprises ou na produção de programas que trazem mais do mesmo – a Globo optou pela opção de manter no ar um tradicional programa querido pela casa e pelo público, mas reinventando-o, trazendo novos elementos e um pouco de formatos já conhecidos, mas que podem ser interessantes e bem aproveitados na faixa da tarde.
Em tempos em que a TV virou circo, quando qualquer programa estreia de repente e da mesma forma inesperada em que chegam a programação, saem do ar, talvez a melhor estratégia para o modelo atual de televisão – aquele que compete com outras distrações tecnológicas – seja planejar e se reinventar. Nada de forçar a barra. O velho pode ser sempre novo, e o que traz essa jovialidade ao antigo é a forma como se apresenta o conteúdo. E o Video Show esta aí, há 30 mostrando que sabe fazer isso muito bem.

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