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Restrição dos cinemas brasileiros a sessões dubladas gera polêmica

As redes de cinema que operam no Brasil ultimamente tem surpreendido aos cinéfilos de plantão. Acontece que além de algumas distribuidoras distribuírem mais cópias dubladas do que legendadas dos filmes, alguns cinemas estão se restringindo a exibirem apenas filmes dublados. É o que acontece com os cinemas da Zona Norte do Rio de Janeiro, na Zona Leste de São Paulo e na rede Kinoplex do Shopping Boa Vista, em Recife.
Os defensores das cópias dubladas dão vários motivos para que elas tenham seu espaço no cinema: as pessoas que não sabem ler ou que tenham dificuldade com a leitura das legendas, os deficientes visuais e a valorização do trabalho dos dubladores. Estes últimos pontos são discutidos pelo crítico de cinema Pablo Villaça em seu blog, o Diário de Bordo. Segundo ele, “a solução para os deficientes visuais reside não na dublagem, mas na áudio-descrição”. Quanto aos dubladores, as oportunidades de trabalho vão além do cinema. “Séries de tevê, animações (para cinema e televisão) e praticamente todas as produções lançadas em home video contam com suas versões dubladas”, conta o crítico.
Os fãs de cinema tem seus motivos para preferir uma cópia legendada a dublada nas sessões – valorizam o trabalho dos atores, que passam meses trabalhando vários aspectos da caracterização, sendo um deles a entonação de voz, rapidamente modificada por um dublador; e a mixagem de som, ponto importante num filme e que de tão importante, tem até categoria no Oscar, é outro aspecto que perde sua qualidade quando em uma cópia dublada. “Cada filme envolve, em sua pós-produção, um trabalho árduo e extremamente detalhista de combinação das diversas trilhas que trazem os vários elementos sonoros da produção: os diálogos, os ruídos, as trilhas incidentais e instrumentais e até mesmo o som ambiente, do silêncio, de cada set”, explica Villaça. “Esta mixagem requer um estudo delicadissimo do nível preciso de cada faixa em cada segundo de projeção, um trabalho que, nas versões dubladas, tem seu equilíbrio arruinado quando os estúdios brasileiros atiram uma destas faixas fora para substituí-la pela versão em português”, conclui.
E se os defensores dos filmes dublados se preocupam com os deficientes visuais, não podemos esquecer dos deficientes auditivos, que precisam das legendas para ter acesso e compreender os filmes.
Dublado ou legendado? A discussão é longa e conclusiva – há público para os dois tipos de projeções, mas o que não deve acontecer – embora já esteja ocorrendo conforme noticiado no início desta publicação – é restringir as redes a apenas uma opção. O cinema é uma das artes mais valorizadas e que não deve ser desprestigiada por talvez uma decisão mercadológica (?) das distribuidoras.
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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

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