Restrição dos cinemas brasileiros a sessões dubladas gera polêmica

Leia também:

‘Projeto Gemini’ e ‘Morto Não Fala’ são as estreias da semana nos cinemas

As estreias desta semana nos cinemas trazem filmes para todos os gostos. "Projeto Gemini", o ousado filme do cineasta...

Cinema da UFPE é a nova opção para os cinéfilos pernambucanos

O Cinema da UFPE, nova sala de exibição no Recife, será inaugurado nesta quarta-feira (09). O evento acontece às...

Sem apoio de editais, Janela de Cinema recorre ao público para acontecer

Um dos maiores festivais de cinema de Pernambuco, o Janela Internacional de Cinema do Recife recorre neste ano ao...
Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.
As redes de cinema que operam no Brasil ultimamente tem surpreendido aos cinéfilos de plantão. Acontece que além de algumas distribuidoras distribuírem mais cópias dubladas do que legendadas dos filmes, alguns cinemas estão se restringindo a exibirem apenas filmes dublados. É o que acontece com os cinemas da Zona Norte do Rio de Janeiro, na Zona Leste de São Paulo e na rede Kinoplex do Shopping Boa Vista, em Recife.
Os defensores das cópias dubladas dão vários motivos para que elas tenham seu espaço no cinema: as pessoas que não sabem ler ou que tenham dificuldade com a leitura das legendas, os deficientes visuais e a valorização do trabalho dos dubladores. Estes últimos pontos são discutidos pelo crítico de cinema Pablo Villaça em seu blog, o Diário de Bordo. Segundo ele, “a solução para os deficientes visuais reside não na dublagem, mas na áudio-descrição”. Quanto aos dubladores, as oportunidades de trabalho vão além do cinema. “Séries de tevê, animações (para cinema e televisão) e praticamente todas as produções lançadas em home video contam com suas versões dubladas”, conta o crítico.
Os fãs de cinema tem seus motivos para preferir uma cópia legendada a dublada nas sessões – valorizam o trabalho dos atores, que passam meses trabalhando vários aspectos da caracterização, sendo um deles a entonação de voz, rapidamente modificada por um dublador; e a mixagem de som, ponto importante num filme e que de tão importante, tem até categoria no Oscar, é outro aspecto que perde sua qualidade quando em uma cópia dublada. “Cada filme envolve, em sua pós-produção, um trabalho árduo e extremamente detalhista de combinação das diversas trilhas que trazem os vários elementos sonoros da produção: os diálogos, os ruídos, as trilhas incidentais e instrumentais e até mesmo o som ambiente, do silêncio, de cada set”, explica Villaça. “Esta mixagem requer um estudo delicadissimo do nível preciso de cada faixa em cada segundo de projeção, um trabalho que, nas versões dubladas, tem seu equilíbrio arruinado quando os estúdios brasileiros atiram uma destas faixas fora para substituí-la pela versão em português”, conclui.
E se os defensores dos filmes dublados se preocupam com os deficientes visuais, não podemos esquecer dos deficientes auditivos, que precisam das legendas para ter acesso e compreender os filmes.
Dublado ou legendado? A discussão é longa e conclusiva – há público para os dois tipos de projeções, mas o que não deve acontecer – embora já esteja ocorrendo conforme noticiado no início desta publicação – é restringir as redes a apenas uma opção. O cinema é uma das artes mais valorizadas e que não deve ser desprestigiada por talvez uma decisão mercadológica (?) das distribuidoras.
- Publicidade -
- Relacionados -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Publicidade -

Últimos destaques:

A Grande Mentira | Crítica

Assistir Ian McKellen e Helen Mirren por uma hora e cinquenta minutos é sempre um prazer, mesmo quando o veículo não é lá...

Azougue Nazaré | Crítica

Uma terra com uma vasta variedade de culturas que culminam em diferentes religiões, o Brasil vem perdendo suas raízes com a ascensão do poderio...

As Panteras | Crítica

Hollywood fez mais uma vítima na sua não tão nova moda de reciclar franquias - a saudosa série As Panteras ("Charlie's Angels") ganhou uma...

Ford vs Ferrari | Crítica

A principal lição que se pode tirar do novo filme de James Mangold, é que não há nada que não fique 100% melhor com a...

Dora e a Cidade Perdida | Crítica

  A adaptação do desenho interativo Dora, a Aventureira, exibido no começo dos anos 2000 pelo canal Nickelodeon poderia ter seguido um caminho bem diferente e...
- Filmes recomendados -


More Articles Like This

- Publicidade -