Início Vida e Obra: O ator e cineasta canadense Xavier Dolan

Vida e Obra: O ator e cineasta canadense Xavier Dolan


Xavier Dolan é um dos mais jovens e promissores artistas do cinema contemporâneo, conhecido por imprimir em suas produções alternâncias entre realidade e fantasias psicológicas. 

Nascido em 1989, seu primeiro trabalho de grande destaque foi “Eu Matei Minha Mãe” (“J’Ai Tué Ma Mère”, 2009), que retrata a problemática relação de um filho gay com a sua mãe. Neste longa, Dolan foi responsável por maior parte do processo criativo – roteiro, direção, produção e até o papel principal ficou sob sua responsabilidade. Exibido no Festival de Cannes, “Eu Matei Minha Mãe” foi aplaudido pela plateia por oito minutos e venceu três prêmios, que junto a outros festivais de cinema, somam um total de 27.
Assumidamente gay, Xavier Dolan expressa sua orientação sexual em seus filmes. O seu segundo longa, “Amores Imaginários” (“Les Amours Imaginaires”, 2010) – que fala de dois amigos, um garoto e uma garota, que se apaixonam pelo mesmo rapaz – discute as linhas que intermediam um debate sobre paixões platônicas e o alcance do amor idealizado. O filme tem influências do cineasta e roteirista italiano Bertolucci e do cineasta francês Truffaut e venceu a mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes.

Seu terceiro filme como diretor foi mais fundo nas questões que envolvem a sexualidade – “Laurence Para Sempre” (“Laurence Anyways”, 2012) é talvez a película mais ambiciosa de Dolan. Laurence Para Sempre discute a transexualidade em meio a um relacionamento entre um homem e uma mulher, depois da decisão dele em fazer a mudança de sexo. É o primeiro projeto da filmografia de Dolan em que ele não atua, deixando o papel principal para o ator Melvil Poupaud, uma decisão mais que acertada pela impressionante, expressiva e tocante interpretação que conduziu nas mais de duas horas da trama.
O último filme de Xavier Dolan, intitulado “Tom na Fazenda” (“Tom à la Ferme, 2013) ainda não chegou ao Brasil, mas é muito esperado pelos fãs do diretor. Aqui, Dolan explora mais uma vez um relacionamento homossexual, permeado pela aceitação familiar e a morte. No longa, Tom perde seu parceiro e decide conhecer a família do falecido, mas tudo muda quando descobre que a mãe não sabia da situação do filho e muito menos da relação que mantinha com Tom. Xavier Dolan volta a atuar no papel principal de “Tom à la Ferme”, que ganhou o prêmio FIPRESCI no Festival de Veneza de 2013 e o Vancouver Films Critics Circle deste ano em menção à atuação da atriz Lise Roy, pelo seu papel como Agathie, a mãe do falecido.

A filmografia de Xavier Dolan é uma verdadeira obra de arte do cinema franco-canadense e rende diversas discussões, principalmente pela valorização de um movimento chamado de “novo cinema queer”. A quem se interessar, o cineasta e seus longas renderam um interessante artigo produzido pelos brasileiros Gandara e Silva Junior intitulado “O Cinema Dialógico de Xavier Dolan”, que faz uma abordagem mais profunda relacionando o movimento citado e a obra de Dolan.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

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