Cannes 2014: Os vencedores, elogios, vaias e os 20 anos de Pulp Fiction de Tarantino

20 anos de Pulp Fiction
Cannes homenageou nesta edição o 20º aniversário de lançamento do filme Pulp Fiction, produção do renomado Quentin Tarantino, que em 1994 ganhou a Palma de Ouro, prêmio mais importante do festival.
Quem esteve no evento foram os atores Uma Thurman e John Travolta, que assistiram ao lado de Tarantino a exibição especial de Pulp Fiction, que ocorreu na sexta-feira (23/05).
Em coletiva de imprensa, Tarantino comentou sobre sua lista dos dez cineastas “mais excitantes”, que segundo ele, são aqueles que são bons no que fazem, mas ainda não produziram seu melhor filme.
O cineasta afirma que Pedro Almodóvar está nesta lista. “Podemos estar errados, pode ser que esteja já por trás em sua carreira, mas não sabemos”, comentou sobre o ranking. “Pra mim é um mistério que Pedro Almodóvar não estivesse em todas as listas”, afirmou, sobre o diretor de “Volver” (2006) e “A Pele que Habito” (2011).
John Travolta, Uma Thurman e Tarantino na exibição de Pulp Fiction em Cannes (Foto: Pure People)
Na mesma coletiva de imprensa, Quentin Tarantino contou que aprecia que os filmes sejam exibidos em 35mm, mas que esta cultura esta morta devido ao fortalecimento dos filmes no formato digital. “O fato de que a maioria dos filmes não são exibidos em 35 milímetros significa que a guerra está perdida”, declarou o diretor de “Um Drink no Inferno”.
Os filmes digitais tem representado uma grande economia nos custos de distribuição, o que levou os cinemas – e inclusive o Festival de Cannes – a abandonar os rolos de filmes em 35mm. Ainda assim, da mesma forma que fãs de música apreciam o vinil, os adoradores da sétima arte vem na película uma sofisticação da imagem em 35mm perdida no digital.
“Tenho esperança de que estejamos passando por um período de atordoamento romântico com a facilidade do digital e que, embora esta geração esteja irremediavelmente perdida, a próxima irá exigir o cinema genuíno”, analisa, mas aponta que o cinema digital também tem suas vantagens. “O lado bom do digital é o fato de que um jovem cineasta pode simplesmente comprar um celular e, se tiver a tenacidade de bolar alguma coisa, pode até fazer um filme”.
O encontro de Tarantino com os jornalistas ocorreu como uma conversa informal. Ele aproveitou para falar de sua coleção de películas em 16mm e 35mm, guardada em casa e sempre em uso. “Exibo os filmes o tempo todo, estou sempre assistindo”, revelou.
Tarantino estava lá pelos 20 anos de Pulp Fiction e sua conquista da Palma de Ouro, em 1994. Os jornalistas presentes não esqueceram de perguntá-lo sobre o prêmio. “Ganhar a Palma de Ouro, até hoje, é absolutamente, positivamente, a minha maior conquista”, contou. “De todos os troféus que conquistei, é aquele que tem o maior lugar de honra na minha casa, é aquele que quero ganhar de novo, talvez um dia, antes do apagar das luzes”, almejou.
O cineasta aproveitou a oportunidade para falar da sua ideia de levar o filme “Django Livre” para a TV. O faroeste de 2012 estrelado por Jamie Foxx e Leonardo DiCaprio tem cenas adicionais inéditas, que podem ser adicionadas ao filme e render cerca de quatro horas de produção. Assim, pode ser levada para as telinhas no formato de minissérie, em quatro episódios de uma hora.
As vaias do público
O público presente no festival de Cannes é bem exigente. Se há duas coisas que eles sabem fazer, na hora certa, é elogiar ou vaiar. E esse segundo eles fazem sem nenhuma vergonha e sem medo de soar como mal educados.
Aliás, as vaias são um sinal claro da péssima recepção que um filme tem, em primeira mão, pelo público em Cannes. Neste ano, vários filmes não fugiram a regra e foram vaiados.
Um deles é “Grace: A Princesa de Mônaco”, estrelado por Nicole Kidman e dirigido por Olivier Dahan, cujo público reagiu com vaias e com risos de deboche. O filme retrata a vida da atriz grace Kelly (Nicole Kidman) desde seu casamento com o príncipe Rainier III até o convite para atuar em “Marnie – Confissões de uma Ladra”, de Hitchcock. Segundo a crítica, o filme apresentou erros históricos, roteiro fraco e trilha sonora exagerada, além de fraco elenco e incômodos movimentos de câmera.
Outro filme bastante criticado foi “The Captive”, estrelado por Ryan Reynolds e dirigido pelo canadense Atom Egoyan. A crítica afirmou que o longa é abaixo do nível exigido pela Palma de Ouro e de pouca originalidade. “The Captive” fala sobre o desaparecimento de uma criança depois de ser deixada sozinha no carro pelo pai.
“Lost River”, o primeiro filme dirigido pelo ator Ryan Gosling, foi exibido na mostra Un Certain Regard e presenciou várias pessoas deixando a sessão antes do final. Foi recepcionado com um misto de aplausos e vaias. Enquanto isso, o vencedor do Oscar pelo filme “O Artista” (2011) também não teve sorte. O filme “The Search” do diretor Michel Hazanavicius teve poucos aplausos e uma grande quantidade de vaias, criticado pelo ritmo lento da trama.
Das vaias aos aplausos
Se em 2010 o cineasta Jean-Luc Godard sofreu com as vaias do público e da crítica com o longa “Film Socialisme” na mostra Un Certain Regard, neste ano, ele obeteve êxito.
Aos 83 anos, aplausos e comentários emocionados receberam “Adieu au Langage”, sendo o primeiro filme a não receber vaias desde o início da edição deste ano do festival de Cannes. A exibição aconteceu no Grande Teatro Lumière, no Palácio dos Festivais.
Cena de “Adieu au Langage” (Foto: Divulgação)
Godard é membro da escola francesa Nouvelle Vague e inovou na forma de fazer cinema com filmes como “Acossado” (1960) e “O Demônio das Onze Horas” (1965). “Adieu Au Langage” traz diversas referências a elementos que marcaram a forma Godard de dirigir filmes – movimentos de câmera, som fora de sincronia com a imagem e a narração como subelemento do filme.
O diretor não foi ao festival, mas enviou um vídeo falando sobre sua obra. “É uma história simples: uma mulher casa e um homem solteiro se encontram. Se ama. Brigam. Um cachorro vaga entre a cidade e o campo. As estações passam. O homem e a mulher se encontram novamente e o cachorro encontra os dois”, explicou Godard.
Nas redes sociais, a recepção foi positiva. O jornal britânico The Gardian julgou o filme como “errático, excêntrico, exasperante e louco”. Embora bem aceito, “Adieu Au Langage” não ganhou a Palma de Ouro.
 
De Pernambuco para Cannes
O curta “Sem Coração” foi o único filme brasileiro a representar o nosso país no Festival de Cannes de 2014. Dirigido pelos pernambucanos Nara Normande e Tião e filmado em Alagoas, o filme aborda a importância de experiências que ainda não foram vividas.
Recebido com aplausos, “Sem Coração” venceu o prêmio Prix Illy du Court Métrage, na mostra Quinzena dos Realizadores.
Cena do curta pernambucano “Sem Coração” (Foto: Divulgação)
Os vencedores
Juliane Moore recebeu o prêmio de melhor atriz pelo aguardado “Maps to the Stars”. Timothy Spall recebeu o prêmio de melhor ator pelo filme “Mr. Turner”.
O melhor diretor foi Bennett Miller, pelo filme “Foxcatcher”, enquanto o melhor roteiro ficou para a dupla Andrewy Zvyagintsev e Oleg Negin por “Leviathan”. O prêmio do júri ficou para dois filmes: “Mommy” e “Adieu au Langage”. No Grand Prix venceu Alice Rohrwacher por “The Wonders” e o trio Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis levaram o prêmio Câmera de Ouro por “Party Girl”.
O principal prêmio da noite, a Palma de Ouro, ficou para o filme turco “Winter Sleep”, sobre um ator aposentado que gerencia um hotel com sua jovem esposa, numa relação conturbada, e com sua irmã que está saindo de um divórcio. O inverno chega, a neve começa a cair e o hotel se torna um abrigo para esta família, cujos ânimos ficam “à flor da pele”.
Com informações do Pure People, G1, Reuters, Exame e LeiaJá.

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