Crítica: Lucy e a super-heroína por acidente em busca do domínio da mente e a origem da vida

Os humanos utilizam apenas 10% do cérebro – essa é a teoria que dá início a “Lucy”, filme de Luc Besson estrelado com maestria por Scarlett Johansson. O que aconteceria se pudéssemos utilizar 100%?

Enquanto os humanos normais usam apenas 10% da atividade cerebral, há uma teoria que mistura neurologia com paranormalidade para justificar os efeitos de um cérebro que atinge os 100%, sua capacidade máxima de atividade – força excessiva, telecinese, leitura de mentes, capacidade de identificar ondas eletromagnéticas, entre outras funções que os meros mortais não seriam capazes de dominar.
Lucy surge quando cai numa emboscada e precisa participar de um esquema de tráfico de uma droga poderosa, escondida na sua barriga, através de um procedimento cirúrgico. Mas após uma agressão, a droga acaba vazando para o seu organismo, que a absorve e aumenta rapidamente sua atividade cerebral. É aí que a Lucy que o espectador tanto queria ver entra em ação, em busca de informações sobre este fato que a atinge e como ele pode ser útil para a sociedade.
Luc Besson parte da controversa teoria do uso de apenas 10% do cérebro pelos humanos para dar o tom dramático da evolução de Lucy ao longo da trama. Vê-se ação do início ao fim, com pequenas e necessárias pausas, não só para quebrar o ritmo frenético mas também para manter o espectador envolvido com a ciência em que se baseia o desenvolvimento do roteiro. Bem ao estilo de Lars Von Trier, Besson aposta na inserção de imagens (ao melhor estilo dos documentários da BBC e Discovery Channel) para parafrasear o que está sendo explorado na história, dando uma segunda visão do conceito numa linha tênue entre o metafísico e o natural.
Scarlett Johansson no papel principal se consagra no papel de heroína de filmes de ação, capaz de dominar essencialmente a mente evolutiva de Lucy, personagem que passa rapidamente de uma garota comum com seus interesses a um gênio excepcional. Morgan Freeman tem um papel importante quando é essencial para explicar a teoria evolutiva do cérebro e suas capacidades, numa discreta participação com ares de co-protagonismo. Há de se destacar o ator Amr Waked na pele do capitão Pierre del Rio, como um policial que torna-se impotente ao lado de uma mulher super-poderosa e rendido ao seu charme e inteligência de outro mundo.
Com locações no Taiwan e pela bela Paris, Lucy se apresenta como um grande acerto visual, cuja beleza da natureza e até das grandes cidades, com toda sua tecnologia ou prédios – desde os históricos aos arranha-céus -, foram minuciosamente explorados. Os efeitos especiais utilizados para mostrar a ambientação da personagem no final dos seus estágios evolutivos, que transcendem dos mais simples aos mais caprichados,  também contribuíram para manter a experiência visual.
Cheio de referências a outros longas e tramas de super-heróis quando se refere a Lucy e o domínio de seus poderes, Luc Besson trouxe aos cinemas uma nova super-heroína, que sabe dominar bem sua inteligência e associá-la ao que de melhor pode-se obter da tecnologia, como já visto em Nikita (1990), outra icônica produção de seu currículo. O desfecho de Lucy é inspirador, e com certeza deixará alguns questionamentos na cabeça do espectador sobre a biologia, a metafísica, o ser humano como sociedade e as discussões sempre controversas acerca da origem da vida.

Por Paulo Cavalcante

Lucy (França, 2014) 

Avaliação do Editor:
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Sinopse: Quando a inocente jovem Lucy (Scarlett Johansson) é intimada a transportar drogas dentro do seu estômago, ela não conhece muito bem os riscos que corre. Por acaso, ela acaba absorvendo as drogas, e um efeito inesperado acontece: Lucy ganha poderes sobre-humanos, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente (via Adoro Cinema).

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