Crítica: Permanência

Permanência surge pra reafirmar que nada é permanente, exceto a mudança.

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Lais Rilda
Lais Rilda
Estudante de Rádio, TV e Internet e consequentemente apaixonada por audiovisual, passo a maior parte do tempo relacionando o que aprendo em sala de aula com o que vejo na vida real e na ficção.

Irandhir Santos e Rita Carelli em cena de Permanência (Foto: Divulgação)
Irandhir Santos e Rita Carelli em cena de Permanência (Foto: Divulgação)

Permanência nos traz a certeza que a única coisa permanente é a impermanência da vida. Por mais ambíguo que isso possa parecer, Leonardo Lacca, diretor do filme, consegue extrair dos diálogos e olhares dos personagens o quanto as transformações da vida nos afetam. Com um roteiro simples e com uma pitada de humor a conversa entre os personagens nos atrai facilmente.

Lacca, que conversou um pouco com o público que aguardava para ver seu filme, afirmou que Permanência vinha pra mostrar que às vezes aquela paixão que acabamos de conhecer na noite anterior pode simplesmente no dia seguinte abrir a geladeira da nossa casa e nós acharmos isso normal, mas talvez dois dias depois a paixão acabe e nós passamos a achar isso um absurdo.

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É nessa situação que Ivo (Irandhir Santos) e Rita (Rita Carelli) se veem. Tempos depois do término do relacionamento, Ivo que é Recifense sai de sua terra e vai até São Paulo para participar de uma exposição, ele então resolve ficar uns dias na casa de Rita, que já se encontra casada com Mauro (Sílvio Restiffe).

A primeira cena até então nos parece ser um simples reencontro de um casal, mas logo nos deparamos com a nova realidade matrimonial de Rita. Os dois que se conhecem muito bem conversam sempre com receio, aparentando medir as palavras. É aí que percebemos o quão estranho os dois se acham estando separados, pois há algum tempo atrás eles tinham uma vida juntos.

Com o passar dos dias os dois vão se reaproximando e caminhando para o redespertar de um romance, entretanto consumir esse desejo parece depender de algo que o tempo levou. Ivo então conhece Laís (Laila Pás), ela o ajuda na produção da exposição e a partir daí os dois passam a ter encontros casuais.

A atuação maravilhosa de Irandhir mais uma vez nos surpreende, seu personagem é quase palpável com um humor às vezes ingênuo. As cenas dele com Rita tem um imenso requinte no diálogo, até quando prevalece apenas o silêncio dos dois entre olhares e carinhos. Carelli e Irandhir conseguem brilhantemente nos passar o drama no qual seus personagens estão inseridos.

Todo esse drama presente no filme reflete numa fotografia fria e bem trabalhada que vem para somar ao roteiro e a produção. Permanência é um filme para se ver e encarar o quanto o tempo é capaz de causar mudanças naquilo que achávamos que seria para sempre e por mais que desejemos ver isso acontecer, essas mudanças levam consigo peças importantes do nosso quebra-cabeça nos deixando com espaços à serem preenchidos, tudo isso porque talvez no dia seguinte a paixão precisa nos deixar e pegar um voo de volta para casa.

Filme assistido durante a programação do VII Janela Internacional de Cinema do Recife, a convite do festival.

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