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Crítica: Homens, Mulheres e Filhos

Jason Reitman dá uma oportunidade pra internet representar seu papel da vida real no seu longa e o resultado é uma trama recheada de janelas virtuais.

A globalização teve como um de seus impactos a maior capacidade de podermos nos comunicar. Daí em diante nada parou. Várias plataformas e aplicativos substituíram ou somaram a forma como conversamos com nossos semelhantes independente da distância. Entretanto, como já afirmava Milton Santos, essa globalização não veio apenas pra encurtar barreiras, pois em sua essência ela possui um lado perverso. 
Homens, Mulheres e Filhos apresenta uma das faces desse lado perverso de todo esse avanço na alta capacidade de nos comunicarmos na rede. A partir daí vemos como a interação entre pais e filhos pode ser forjada na ilusão de que ambos se conhecem. Tim Mooney (Ansel Elgort), por exemplo, passa horas em seu videogame jogando e conversando com desconhecidos, mas não consegue manter uma relação saudável com o pai desde que sua mãe saiu de casa. A Jennifer Garner coube à interpretação do personagem que mais desafia a relação entre jovens, pais e o mundo virtual. Superprotetora, ela controla todos os passos da filha até isso resultar em um dos momentos mais delicados do filme. Assim as barreiras que deveriam se encurtar apenas aumentam entre pais e filhos.
O longa tinha tudo para ser mais um drama adolescente por abordar os tão rotineiros temas de filmes do gênero: a “necessidade” da perda da virgindade no colegial, a bulimia resultante do desejo de manter estereótipos de beleza, a dura relação entre pais e filhos e a infidelidade. Entretanto, o roteiro de Erin Cressida Wilson e do também diretor Jason Reitman tem a inserção de um personagem onipresente no filme, na verdade não seria um personagem e sim a representação de um elemento já considerado praticamente onipresente em nossas vidas reais, a internet. 
Sem condenar ou apoiar a história dos seus personagens, o filme é capaz de nos levar a reflexões e nos por em diferentes papéis. Contudo ele acaba e nos provoca uma sensação de vazio em relação a algumas tramas. A história de que a vida continua mesmo sem os finais felizes talvez caibam bem a Homens, Mulheres e Filhos, mas ainda assim sentimos falta de ter penetrado mais profundamente em algumas tramas.

Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women &Children, 2014, EUA)

Avaliação do editor:
(4/5)
Sinopse: Homens, Mulheres e Filhos conta a história de um grupo de adolescentes do ensino médio e de seus pais na medida em que eles tentam lidar com as diversas maneiras nas quais a Internet mudou seus relacionamentos, suas comunicações, suas auto-imagens e suas vidas amorosas. O filme tenta encarar questões sociais tais como a cultura dos videogames, anorexia, infidelidade, busca da fama e a proliferação de material ilícito na Internet. Na medida em que cada personagem e cada relacionamento é testado, podemos ver a variedade de caminhos que as pessoas escolhem – alguns trágicos, outros cheios de esperança – e fica claro que ninguém está imune a esta enorme mudança social que vem através de nossos telefones, nossos tablets e nossos computadores.
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Lais Rilda
Lais Rilda
Estudante de Rádio, TV e Internet e consequentemente apaixonada por audiovisual, passo a maior parte do tempo relacionando o que aprendo em sala de aula com o que vejo na vida real e na ficção.

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