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Crítica: As Aventuras de Paddington

Com humor britânico apurado e a deslumbrante Londres como cenário, As Aventuras de Paddington traz um urso fofo que conquista a família inteira.

As Aventuras de Paddington (Divulgação/Diamond Filmes)
As Aventuras de Paddington (Divulgação/Diamond Films)

Baseado numa série de livros infantis criada em 1958 pelo britânico Michael Bond, As Aventuras de Paddington chega aos cinemas com a missão de popularizar a história do ursinho que embora seja popular na terra da rainha, passa despercebido em outras culturas ao redor do mundo. No Brasil, por exemplo, os livros só devem chegar traduzidos a partir de 2015.

As Aventuras de Paddington conta a história de um casal de ursos que recebe na selva Peruana um explorador Londrino, que acaba ficando amigo dos bichos. Anos depois, eles passam criar seu sobrinho urso após a morte dos pais. Os tios contam a história do explorador para o jovem urso e comentam sobre seu desejo de conhecer Londres. Após um terremoto, o tio urso acaba morrendo e a tia está velhinha demais para cuidar do pequeno. Assim, ela o envia clandestinamente num navio cargueiro para Londres. A história se desenvolve quando uma família encontra o ursinho perdido na estação de trens Paddington. Sob a vontade da matriarca, o urso – o qual ela chamou de Paddington –  acaba sendo levado para a casa da família, contra a vontade do pai da família, com a promessa de ajudá-lo a encontrar o famoso explorador que um dia tratou tão bem os “tios urso”.

É com as trapalhadas do pequeno Paddington que o longa torna-se divertido, somado ao humor britânico que nitidamente foge do clichê pregado pelos filmes americanos. Embora previsível na maioria das situações, As Aventuras de Paddington se destaca por conseguir trazer um roteiro diferente, talvez com a ajuda da história contada no livro que o originou.

Os efeitos especiais e a animação dos ursos, principalmente do Paddington em cena com os atores, são um show à parte. É nítido todo o trabalho e atenção que tiveram na hora de produzir e por em cena o personagem. A animação funciona bem desde o pelo do ursinho esvoaçando ao vento ou a cada movimento, bem como sua interação com o cenário e elenco nas cenas tanto de diálogo quanto de ação.

As Aventuras de Paddington também ganha o público mais adulto não só por ter grandes nomes, mas também pela atuação do elenco. Nicole Kidman surpreende na pele de uma vilã caricata, que de início causa estranheza e parece forçada mas logo mostra a que veio. Sua atuação ao lado de Peter Capaldi (conhecido pela série Doctor Who) rende ótimas e inteligentes piadas ao nível do humor britânico. Jim Broadbent, Julie Walters, Imelda Stauton e Hugh Bonneville também se saem bem nos seus papéis.

No Brasil, o filme recebe apenas cópias dubladas e promete ser a aposta para conquistar o público infantil e familiares até o Natal. A dublagem do ursinho Paddington fica por conta de Danilo Gentili, que neste seu primeiro trabalho mostra que tem muito a amadurecer. Era fácil identificar que a voz era conhecida, ainda mais com o sotaque forte de Gentili. Além disso, algumas referências foram alteradas, como menções ao Corinthians e Palmeiras e o cumprimento paulistano “fala, mano!”, que a primeira vista, agradará mesmo que é de lá.

O tom infantil prevalece em As Aventuras de Paddington, mas mesmo que prejudicada pela dublagem e suas adaptações, promete conquistar a criançada e os pais com uma boa história, situações engraçadas e uma bela Londres para ser visitada, mesmo que de frente a telona.

Por: Paulo Cavalcante

As Aventuras de Paddington (Paddington, 2014, Reino Unido)

Avaliação do editor:
(4/5)
Sinopse: Paddington foi criado na floresta do Peru pelos tios Pastuzo e Luzy, mas um terremoto acaba separando o trio. Diante disto, o pequeno urso é enviado pela tio para Londres, local onde mora um explorador que visitou o Peru décadas atrás. Paddington faz a viagem clandestinamente e, ao chegar, acaba indo para uma estação de trem. Lá ele conhece a família Brown, que decide ajudá-lo a encontrar o tal explorador. Só que a vida na civilização e entre humanos não é tão simples assim.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

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