Crítica: Operação Big Hero

big-hero-six-banner-2Depois do sucesso em 2013 com “Frozen – Uma Aventura Congelante” e o primeiro Oscar de Melhor Longa Metragem de Animação, a Disney se sentiu na obrigação de fazer um filme tão bom quanto a história das irmãs Elza e Anna. Com Operação Big Hero (Big Hero 6, 2014), a Disney Animation se consolida na produção de grandes blockbusters ao mesmo tempo que capricha cada vez mais nas suas animações, tanto em roteiro quanto em produção.

Operação Big Hero carrega uma grande responsabilidade – é a primeira animação da Disney baseada em personagens da Marvel, o que faz o filme ter a obrigação e agradar não só a criançada e a família, bem como os fãs dos quadrinhos da editora. Conhecemos então São Fransókio, uma cidade que serve de plano de fundo para as aventuras dos irmãos Tadashi e Hiro, dois nerds apaixonados por tecnologia, principalmente a robótica. Unir a beleza e a hospitalidade da americana San Francisco com a tecnológica Tóquio funcionam bem no filme, que retrata quase que fielmente o cenário, por muitas vezes fazendo até esquecer que estamos vendo uma animação, lembrando imagens reais, como se tivessem sido capturadas por câmeras.

Na história, o irmão mais velho Tadashi é responsável por tirar o pequeno Hiro de confusões, mas também por levá-lo a outro mundo quando apresenta a universidade de tecnologia onde estuda e o seu laboratório. Lá Hiro é apresentado a outros viciados em tecnologia e amigos de Tadashi – Honey Lemon, uma especialista em química; a física GoGo Tomago; o mascote da faculdade Fred e Wassabi, o especialista em lasers e viciado em organização. Tadashi também apresentada a Hiro o Baymax, um robô inflável de vinil que foi programado para ser um enfermeiro, detectando problemas de saúde e ajudar os pacientes a curá-los. O robô é o personagem mais fofo do filme, exalando toda sua fofura a cada aparição e que conquista rapidamente o espectador.

Operação Big Hero lembra rapidamente Os Incríveis, quando vemos os personagens se juntando para formar um grupo de super-heróis – que neste caso, usam a tecnologia como “poderes” – para capturar um vilão mascarado. O roteiro é bastante caprichado misturando diversos elementos que prendem a atenção de adultos e crianças, incluindo a ação característica das HQs e produções cinematográficas da Marvel, hoje um padrão necessário aos filmes de super-heróis, como também a parte emotiva, que caminha entre o sentimental e o humorístico. Embora a amizade nutrida por Hiro e Baymax tornem-se o principal elemento do filme, a equipe de super-heróis não fica para trás e torna-se essencial à animação.

Outro grande acerto de Operação Big Hero está nas referências e nos easter-eggs. Os vôos de Baymax remetem ao Homem de Ferro, bem como seu modo “Bersek” lembra o Hulk, duas produções da Marvel. Há ainda referências a cultura japonesa com os tokusatsus e um final a la Gigante de Ferro. Quanto aos easter-eggs, é possível ver Stan Lee, um boneco do filme “Detona Ralph” no quarto do Hiro e uma estátua do Hanz, de “Frozen”, sendo quebrada pelo poderoso soco do Baymax. São referências nem sempre tão nítidas mas que quando reconhecidas, dão um entusiasmo maior aos fãs da cultura pop.

Quem fica sabendo antes de assistir que Marcos Mion, Kéfera Buchman e Fiorella Matheis estão envolvidos na dublagem brasileira podem até ficar com um pé atrás, mas o trabalho mostra-se bem feito e supera o erro da Disney em aceitar Luciano Huck na dublagem horrenda de “Enrolados”.

Com direção e roteiro afiados, com inteligentes ligações a cultura pop e uma animação caprichada, Operação Big Hero surge sendo mais que um blockbuster da Disney – é uma história fofa de amizade e de super-heróis e um presente para a criançada, os adultos e os fãs dos personagens da Marvel, bem representados nessa super produção.

Por: Paulo Cavalcante

Operação Big Hero (Big Hero 6, EUA, 2014)

5
Avaliação: 5,0 (de 5)

Sinopse: Hiro Hamada é um garoto prodígio que, aos 13 anos, criou um poderoso robô para participar de lutas clandestinas, onde tenta ganhar um bom dinheiro. Seu irmão, Tadashi, deseja atraí-lo para algo mais útil e resolve levá-lo até o laboratório onde trabalha, que está repleto de invenções. Hiro conhece os amigos de Tadashi e logo se interessa em estudar ali. Para tanto ele precisa fazer a apresentação de uma grande invenção, de forma a convencer o professor Callahan a matriculá-lo. Entretanto, as coisas não saem como ele imaginava e Hiro, deprimido, encontra auxílio inesperado através do robô inflável Baymax, criado pelo irmão.

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