Crítica: Invencível

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Não precisa saber nada mais que o título para entender que Invencível se trata de um filme de superação. Se o nome apenas sugere, a sinopse e os cartazes do filme lhe entregam de bandeja a história de “sobrevivência, persistência e redenção” que irá acompanhar caso tenha se disposto a assisti-lo. Trata-se do segundo longa-metragem realizado por Angelina Jolie e aqui ela mostra que pode vir a ser uma grande diretora, se não repetir os erros gritantes deste Invencível.

Adaptado do livro biográfico de Laura Hillenbrand pelos roteiristas Richard LaGravenese, William Nicholson e os irmãos Coen, conhecemos a trajetória do corredor olímpico Louis Zamperini (Jack O’Connell), que após ter seu avião abatido na Segunda Guerra, enfrenta o que de mais inacreditável você pode imaginar, apesar de que todos sabem como vai ser o fim, já que ele é invencível, sobrevivente e etc.

O que é decepcionante aqui não é só a mão pesada de Jolie, que extrapola todos os níveis para deixar o drama tomar conta do espectador, sendo desnecessário já que a sua história é suficientemente impressionante. O roteiro tem tamanha responsabilidade pelos problemas da obra, e já que é assinado por Ethan e Joel Coen, costumeiramente conhecidos pela qualidade dos seus filmes, a frustração se sobressai.

O longa inicia com uma ótima sequência de ação, uma perseguição aérea com trocas de tiros e manobras arriscadas, bem conduzida e suplantada pelos efeitos visuais. A partir daí temos a inserções de flashbacks para mostrar a infância do protagonista, enquanto este se encontra entre a vida e a morte num avião de guerra. Uma opção um tanto óbvia, mas que é um problema porque falha na sua principal função. A ideia de que o garoto sofria por ser um imigrante italiano em nada ajuda a nos aproximar do personagem, nem mesmo a sua rebeldia, que optaram por ser mostrada com o garoto fumando e consumindo álcool, parece surtir algum efeito no desenvolvimento daquele Louis. O que leva o menino a se tornar um atleta também parece algo extremamente passageiro, sem importância. As motivações dos personagens em Invencível são verdadeiramente fracas.

Seguindo a linha previsível da saga do herói, o que se entende que todo mundo fez sua lição de casa, leu os manuais de roteiro e aplicou tudo de uma forma genérica, temos a adição de um antagonista na segunda metade do filme, Mutsuhiro “A Ave” Watanabe (Miyavi). Um sádico militar japonês que simplesmente não vai com a cara – exatamente – de Zamperini. A partir daí temos incessantes confrontos entre Watanabe e o protagonista, ou melhor, perseguição, já que Zamperini não se esforça pra se defender e aceita todas as humilhações e castigos sem pé nem cabeça como um verdadeiro prisioneiro de guerra. Invencível ainda detém diálogos pobres e expositivos, permeado por frases clichês de autoajuda, que se repetem durante toda a projeção como um mantra.

Mas não só de problemas vive Invencível. Jolie tem nas mãos um time de primeira, desde os bons e jovens atores ao diretor de fotografia Roger Deakins (de Skyfall) e o compositor Alexandre Desplat, que embora não estejam em seus melhores momentos fazem um bom trabalho. O desing de produção é eficiente ao reproduzir e ambientar o período da segunda guerra, como os campos de prisioneiro que são bem reconstruídos. A transformação física dos atores é sempre impressionante, e aqui eles passam por várias delas num curto período de tempo.

Antes dos créditos, Jolie ainda deixa explícita (como se precisasse) a mensagem de redenção, fé, amor e perseverança que é o cerne de Invencível, com letreiros que contam o que aconteceu com o verdadeiro Louis depois que ele é libertado, com direito até à vídeos de arquivo.

Unbroken (no original) relata uma história verdadeiramente fascinante, mas o resultado final é frustrante e exaustivo graças aos exageros dos seus realizadores. Uma hora e o espectador já não aguenta mais, e não porque o que acontece em tela não é interessante, chato ou algo do tipo, mas sim por causa de todo o seu excesso de dramatização, que parece nunca ter fim.

Invencível (Unbroken, 2014, EUA)

Avaliação do editor:

(3/5)
Sinopse: O drama retrata a história real do atleta olímpico Louis Zamperini, que sofre um acidente de avião, e cai em pleno mar. Ele luta durante 47 dias para reencontrar a terra firme, e quando consegue, é capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

1 COMENTÁRIO

  1. E a guerra, glamouroza no cinema, com certeza foi bem pior, sem direito a sessões de repeteco. Não foi nenhum platoon, mas valeu pela estória, que se ecplorada por cada diretor do planeta, o vento levou seria um simples comercial de produtos rurais, por comparação

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