Crítica: A teoria de Tudo

A teoria de tudo é a biografia de um dos mais brilhantes cientistas da atualidade, Stephen Hawking (Eddie Redmayne). Opiniões divergem quanto ao limite intelectual e produtivo do cientista. Alguns acreditam que caso sua doença motora não tivesse se manifestado, S. Hawking conseguiria feitos ainda mais memoráveis do que ele de fato já alcançou. Em contra partida, outros acreditam que o auge de seu desenvolvimento intelectual foi devido a sua condição física tê-lo incentivado a não ser ‘escravo’ da doença. O que isso tem de relevante para o filme? Entender como suas relações pessoais são afetadas pela busca de respostas que nenhum cientista até hoje conseguiu responder: de onde viemos e para onde iremos. O seu amor pela ciência não é algo contestável, muito menos sua capacidade intelectual, mas como seria caso ele não fosse fisicamente limitado pela doença, será algo que ficará apenas nos palpites.

O filme nos mostra um jovem cuja genialidade é irrefutável, antes mesmo da esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como ELA, começar a mostrar seus primeiros sintomas. Dr. Hawking, até então apenas um estudante, é nos apresentado como alguém que pensa além de sua idade, seu gênero, e até mesmo seu tempo. Depois de muito buzz sobre a atuação do Eddie Redmayne no papel do físico, podemos comprovar sua brilhante atuação em cenas na qual sua dificuldade motora e vocal é enfatizada simultaneamente. Eddie obteve seu primeiro papel de relevância mundial a partir do filme Os Miseráveis, como Marius Pontmercy. Irônico o fato de seu reconhecimento no musical Os miseráveis ser por sua singular voz como um tenor. Já de forma oposta, na Teoria de Tudo seu destaque é devido a sua habilidade de não emitir som de forma precisa (devido a doença), e ainda assim ser claramente conciso nos trejeitos como pela posição inclinada da cabeça ou até mesmo uma sobrancelha mais proeminente.

A trilha sonora é destaque por apresentar solos de piano que tornam as cenas dramaticamente mais emotivas.  Tomadas diretas remetendo ao primeiro encontro de Hawking com Jane Wilde (Felicity Jones), ou a lembrança desse primeiro encontro, são regidas por músicas de composição original muito bem colocadas. Isso deve render ao filme o reconhecimento máximo na indústria de cinema, o Oscar.

Temos momentos interessante, como a volta ao tempo em que o diretor faz uso do ‘backwards’ fazendo a cena retroceder como se tivéssemos rebobinando a fita (clara referência ao mais importante livro do cientista ‘Uma breve história no tempo: do big bang ao buraco negro’). No entanto, o filme peca um pouco em sua edição. Cenas em que a câmera poderia ter explorado mais os atores, levando-os ao limite de sua atuação, termina por tentar capturar uma essência mais sútil e deixar o filme um tanto quanto mais humano.

O filme faz jus a genialidade e dificuldades passadas por Stephen Hawking, mas é acrescentado um tom dramático excessivo no filme. Dramático não no sentido vicinal, mas uma tentativa de romantizar a história, focando na relação amorosa entre Hawking e Wilde e até nos problemas trazido por ela. Talvez por ser um fator que leve com que o público tenha uma empatia maior com o personagem, que se traduz num maior apelo de bilheteria.  A falta de elementos que remetam mais a área cientifica, deixa o filme um pouco superficial. Afinal, estamos retratando a história de Stephen Hawking, sem medo de redundância, o físico que pelo menos a partir de agora será o mais pop da atualidade.

Por: Wilson Netto

A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2015, UK)

Avaliação do Editor:

(4/4)
(4/5)

Sinopse: Baseado na biografia de Stephen Hawking, o filme mostra como o jovem astrofísico (Eddie Redmayne) fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide (Felicity Jones) e a descoberta de uma doença motora degenerativa quando tinha apenas 21 anos.

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