Crítica: O Destino de Júpiter

O título da película já nos dá uma dica do que estar por vir: filme no espaço, ou poderíamos colocar, filme perdido no espaço. Com narrativa rasa, excesso de efeitos especiais, personagens principais que não empolgam e até vilões que não deixam muito claro seu papel, O Destino de Júpiter é um filme que deixa a desejar.

O filme narra a história de Júpiter Jones (Mila Kunis), uma garota que perdeu o pai quando ainda não era nascida. Foi criada pela mãe e a ajudava no trabalho como faxineira. Sem nenhuma explicação convincente, Jupiter vira a rainha da galáxia, ou como referenciada no filme, Sua Majestade. O que se sucede no filme são puros clichês: a Terra como o planeta que todos desejam possuir, alguns para destruir, outros que tentarão salvá-lo; a protagonista que até então não sabia o que era o amor verdadeiro, se apaixona pelo cara que a salvou; e assim vai ladeira abaixo o filme.

Felizmente, ou não, Júpiter não está sozinha.  Caine Wise (Channing Tatum) um caçador que foi geneticamente modificado por propósito do exército, mais outro clichê, é parte humano e parte lobo. Seus instintos animais são bem aguçados, muito conveniente para perceber o perigo iminente. Temos uma fraquíssima atuação de Tatum, no qual a falta de expressão e excesso de luta corporal, peca ao dar vida ao personagem e fazer dele uma figura mais complexa .

O filme tem um bom conjunto de efeitos especiais. Como trata-se de uma ficção científica, a criatividade é algo que se aprecia muito, e não se impõe limites. No Destino de Júpiter foi utilizado de vários elementos presentes no filme do mesmo gênero: lasers espaciais, criaturas extraterrestres, objetos voadores, e tantos outros. Entretanto, o excesso desses elementos torna o filme dependente deles e cansativo de assistir, pois pouca fundamentação é dada para poder embasar a história e usá-los de forma eficiente. Quando acontece de ter informações úteis para o desenvolver da narrativa, é dada de forma acelerada, sem que o público possa assimilar. Logo em seguida temos uma cena de perseguição que se prolonga desnecessariamente, fazendo com que toda informação dada  seja esquecida 10 minutos depois. O 3D pouco acrescenta ao filme, salvo 2 ou 3 cenas isoladas.

Eddie Redmayne faz o papel do Balem Abrasax, o mais influente dos três irmãos da família Abrasax, dinastia que detém o poder de todos os planetas. É decepcionante um ator que acaba de ser indicado ao oscar como melhor ator, apresentar o desempenho tão baixo. Vale o devido reconhecimento aos atores que de fato contribuem de forma positiva ao filme: Sean Bean no papel de Sting, que ao lado de Tatum faz parte da polícia intergaláctica, a égide; ao Douglas Booth, interpretando Titus, um dos 3 irmãos Abrasax; e ao James D’Arcy no papel do Maxilimian Jones.

De forma geral, o Destino de Júpiter é mais uma tentativa dos cineastas Andy e Lana Wachowski repetirem o sucesso alcançado com a trilogia Matrix. Mas como ficou bem claro no filme, de forma infeliz.

Por: Wilson Netto

O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending, USA, 2015)

Avaliação do Editor:

Sinopse: Jupiter Jones (Mila Kunis) é a descendente de uma linhagem que a coloca como a próxima ocupante do posto de Rainha do Universo. Sem saber disto, ela segue sua vida pacata trabalhando como empregada doméstica nos Estados Unidos, país onde vive após deixar a Rússia. Um dia, ela recebe a visita de Caine (Channing Tatum), um ex-militar alterado geneticamente que tem por missão protegê-la a todo custo e levá-la para assumir seu lugar de direito.

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