Crítica: 118 Dias

O filme 118 dias conta a história de um jornalista iraniano/canadense que foi injustamente acusado de espionagem e ficou preso, como o título sugere, durante 118 dias. O filme é estrelado por Gael Garcia Bernal, que vive o jornalista Maziar Bahari. A história é uma adaptação do livro “Then They Came for Me: A Family’s Story of Love, Captivity, and Survival”. Baseado em fatos reais, podemos perceber que no filme todos os acontecimentos mostrados foram já vistos nos noticiários, ou lidos em sites e tabloides. Maziar foi preso pelo governo Iraniano após filmar atos de violência do governo contra a população, durante o protesto sobre as fraudes nas eleições iranianas em 2009, que levou Mahmoud Ahmadinejad à presidência. Mas o que o levou de fato a prisão de Maziar foi a entrevista dada ao apresentador Jon Stewart, que afirmou em tom de brincadeira ser um terrorista.

É interesse notar a forma como o filme foi construído. Várias cenas do filme são mostradas da câmera do próprio jornalista. O que confere um tom de live-show ao filme. Deve-se ao fato do diretor e adaptador do livro para o cinema ser o jornalista e apresentador do programa de tv americano Daily Show, Jon Stewart (por ironia ou não, o mesmo que acarretou à prisão de Maziar). Conhecendo de fato a vida de um jornalista, Jon quis mostrar ao público a história através das lentes dele, fato que deixou o filme muito mais rico e interessante. Esse é o primeiro filme de Jon como diretor e produtor, o que não foi tão bem repercutido como esperado. Embora seja um estreante na área, Jon Stewart conseguiu mostrar profundidade e um bom jogo de câmeras no filme. E o mais importante trabalho de um diretor, extrair o máximo possível dos atores.

Gael Garcia Bernal mostra que não por acaso é uns dois maiores interpretes Mexicanos, e porque não de Hollywood. Bernal captura a essência e alma do jornalista, na qual teve oportunidade de conhecer, e leva isso para o filme de forma feroz. Momentos na prisão em que Maziar sente-se só, o ator conseguiu transmitir toda a falta de expressão e esperança pela qual passava o jornalista. Muitos acreditam que a escolha de Bernal para o papel foi apenas uma jogada de marketing. Se foi ou não, foi uma escolha acertada. Outro ator de grande importância para a sustentação do filme é Kim Bodnia, ator dinamarquês que interpreta o agente iraniano Rosewater. Rosewater é também o título do filme em inglês e faz referência a essência do perfume que Maziar sentia toda vez que Rosewater ia ‘interroga-lo’

Apesar de ter várias críticas positivas, o filme teve uma arrecadação muito abaixo de seu custo de produção. Injustamente. O filme apresenta qualidade técnica, atuações precisas, uma direção pontual, ou seja, nada que justifique seu baixo reconhecimento na bilheteria. Séries de fatores poderiam ser apontados como justificativa: pouca divulgação, falta de confiança de Jon Stewart no papel de diretor, ou apenas egocentrismo do povo americano que não está acostumado a um protagonista que não seja um ‘herói patriota’. Qualquer que seja o motivo, a boa qualidade do filme nunca será uma dúvida.

O filme é simplório e ao mesmo tempo profundo. É dramático e ao mesmo tempo engraçado. 118 dias é um retrato de como uma pessoa ao passar tanto sozinha pode mudar. Passar a ter novos medos, novos sonhos e até mesmo novas perspectivas. Passa de fato a se conhecer de verdade.

Por: Wilson Netto

118 Dias (Rosewater, 2014, USA)

Avaliação do Editor (4/5):

Sinopse: Maziar Bahari (Gael García Bernal) é um jornalista iraniano que trabalha para a revista americana Newsweek e vive em Londres, ao lado da esposa grávida. Ele é enviado para cobrir as eleições presidenciais no Irã em 2009, onde o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad corre o risco de não se reeleger. Após uma vitória folgada de Ahmadinejad, rumores de que a eleição teria sido fraudada provocam diversas manifestações populares, algumas repelidas com violência pela polícia local. Bahari consegue filmar um destes ataques e veicula o material para ser divulgado mundo afora, o que o transforma em alvo do governo iraniano. Preso por tempo indeterminado, ele passa a ser torturado para que confesse que estava agindo em nome de uma conspiração ocidental para derrubar o presidente iraniano.

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