Crítica: O Garoto da Casa ao Lado

Depois de um bom intervalo após seu último filme de expressiva bilheteria, O que esperar quando está esperando, Jennifer Lopez volta as telonas no papel de Claire Peterson. Claire, que acaba de sair de um divórcio, mora com seu filho e leva uma vida no qual tenta se recuperar emocionalmente da separação. Sua vida tem uma grande reviravolta após envolvimento com seu novo vizinho. Noah Sandborn (Ryan Guzman) é um garoto de 20 anos que apresenta toda a virilidade e virtudes masculina que faltava na vida de Claire, bonito, inteligente e atraente. Entretanto ele não era tão perfeito quanto parecia. O ciúme e o desejo de posse tornam-no numa pessoa capaz de fazer qualquer coisa para atingir seus objetivos. É daí que o filme vai de mal a pior. E não em um bom sentido.

O filme que não ia muito bem na construção do perfil dos personagens, piora ainda mais quando tenta desenvolver uma relação entre eles. O filme todo parece na verdade uma audição amadora para um outro trabalho qualquer. Não se percebe nenhuma qualidade técnica nem no filme nem nos atores.  Sequencias que tentam criar um ‘pre-climax’ só ratificam que o filme não chegará a lugar nenhum. A atuação de Jennifer Lopez, que nunca teve em suas vastas qualidades ser uma ótima atriz, é infeliz. A atriz/cantora não consegue criar nem empatia com o público. A tentativa de mostrar uma mulher de meia idade como qualquer outra, que tem desejos e aspirações, inclusive (e principalmente) sexuais, é mal construída e tem situações em que chegamos a falar: o que ela está fazendo? Ela precisa realmente estar passando por isso?

Outro destaque negativo é o personagem interpretado por Ryan Guzman, Noah Sandborn. O personagem tem um grande potencial no começo do filme, mas acaba por cair nos mesmos clichês de um thriller, ser previsível. Ryan Guzman, que foi cogitado para o papel de Noah logo após ser recusado o papel de Christian Grey (o que explica muita cenas do filme), fez um trabalho satisfatório, já que não havia mais espaço para o personagem crescer. Em um caso oposto temos o John Corbett, que faz o ex marido de Claire, Garrett Peterson. O personagem é o único da trama que mantém consistência com o roteiro, entretanto Garrett parece estar com preguiça de atuar durante as poucas cenas no qual está presente.

A co-roteirista, Barbra Curry, revelou que ela ajudou a escrever o roteiro através de sua experiência própria baseando-se em um ‘garoto da casa ao lado’ real. Ela que trabalhou por 10 anos como juíza criminal, criou a história a partir do julgamento de uma mãe que tentava tirar seu filho da influência de um vizinho de índole duvidosa. Não só essa história inspirou Curry, mas também o caso da professora Mary Kay Letourneau que foi presa e acusada por ter um caso com um aluno de menor. Faltou um pouco de sensibilidade dramática a Barbra ao transcrever sua experiência pessoal para o filme. Tentar colocar drama onde não se deve, ao invés de acrescentar, torna tal coisa uma caricatura.

 O Garoto da Casa ao Lado é um filme que não consegue nem passar como razoável. A única coisa de impressionar é como a Jennifer Lopez ainda possui aquele corpo. É triste admitir que mais uma cantora que tenta entrar na indústria cinematográfica, não consegue empolgar. Talvez seja uma lição para que foquemos naquilo que sabemos fazer de melhor, e com certeza para Jennifer Lopez, não é fazer filme (produzir, quiçá atuar).

Por: Wilson Netto

O Garoto da Casa ao Lado (The Boy Next Door, USA, 2015)

Avaliação do Editor (1.5/5)1emeio

Sinopse: Após ser traída pelo marido, a professora Claire Peterson (Jennifer Lopez) está em vias de se divorciar. Ela vive sozinha com o filho adolescente, até perceber que um jovem acaba de se mudar para a casa ao lado. O sedutor Noah Sandborn (Ryan Guzman) rapidamente oferece ajuda nas tarefas da casa e se torna o melhor amigo do filho de Claire. Aos poucos, o vizinho passa a seduzi-la, levando a uma noite de amor entre os dois. No dia seguinte, a professora está decidida que tudo foi apenas um erro, mas Noah não pretende abandoná-la tão cedo. O caso de amor torna-se uma perigosa obsessão.

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