Crítica: Pixels

Com muito investimento, Pixels peca pela falta de um roteiro refinado e uma abordagem exaustiva aos videogames, empolgando apenas os viciados em jogos e esquecendo do público geral.

Foto promocional do filme "Pixels", que traz personagens pixelizados dos video games para o mundo real (Divulgação/Sony Pictures)
Foto promocional do filme “Pixels”, que traz personagens pixelizados dos video games para o mundo real (Divulgação/Sony Pictures)

Fliperamas e jogos antigos são artefatos que ainda trazem prazer para os mais velhos, e até mesmo para as novas gerações que buscam sair de toda tecnologia avançada da indústria dos games. Pixels é uma homenagem a todo esse universo feito de uma forma divertida e até mesmo ousada, nada mais. Existe uma tentativa de o filme não ser tão raso: alguns bons atores, alguns bons efeitos especiais, mas eles de alguma forma não conseguem se complementar, e ficam perdidos no meio de tantos problemas no decorrer do filme.

Pixels conta a história de um Sam Brenner (Adam Sandler), um nerd, que trabalha para a N.E.R.D, fazendo coisas de nerd. Acontece que são as habilidades do nerd que serão uteis para salvar o mundo de um ataque. Sam é um excelente jogador do Arcade e tal habilidade o levou a ganhar o segundo lugar num concurso mundial, perdendo para o Eddie Plant, ou Hot Blass (Peter Dinklage). Após receber várias ameaças e até um ataque inicial, o presidente dos Estados Unidos, William Cooper (Kevin James), pede ajuda de Sam, que é seu amigo de infância. É com sua grande habilidade de jogador que Sam tenta combater o ataque alienígena, já que os aliens são pixels de personagens dos antigos jogos.

Várias referências ao mundo pop mostram que o filme faz um apelo para agradar o público, e consegue, mas com muito esforço. Adam Sandler é o mestre do bom humor, e humor sem nenhuma denotação pejorativa. Não é um Jack Black, muito menos um Ricky Gervais, Adam Sandler fez o que sempre faz, uma comédia para a família. Comparado a outros filmes onde suas piadas não se adequam a situação, ou que o tempo da piada fica aquém, Pixels consegue tirar algumas risadas do público. E é assim que o filme vai se sustentando até o fim. Os outros atores pouco acrescentam ao filme de forma notória. Os que deram certo suporte positivo (Peter Dinklage, Sean Bean), outros nem tanto (Jane Krakowski), e outros foram prejudicados pela mal caracterização do personagem. Caso do Josh Gad como Ludlow Lamonsoff, que apesar de acertar o tempo da piada, faz um personagem que não causa nenhuma empatia com o público.

Os efeitos especiais são algo que vale o comentário. São de certa forma trabalhados, principalmente em cenas que mostram a ‘pixelização’ humana, ou quando o ser humano é transformado em pixel. Entretanto, o que mais agrada é ver os personagens dos games ganharem vida, e poder interagir com o real. Personagens que foram tão importantes para os que estão na casa dos 22 anos ou mais: Pacman, Mario, Centopéia, Donkey Kong. O filme pode muito bem ser comparado ao Detona Ralph, filme da Disney que teve a mesma proposta, dar vida aos personagens dos jogos (curiosamente, a parte musical é creditada a Henry Jackman, que trabalhou nos dois filmes). Mas diferente de Detona Ralph ver os games ganharem vida por efeitos especiais, não foi suficiente para deixar o filme agradável.

Pixels é um filme que se investiu muito, mas faltou uma proposta mais definida do que deveria ser feito. Um trabalho mais refinado no roteiro, um aproveitamento maior da capacidade dos atores, até mesmo uma abordagem menos exaustiva sobre os personagens do fliperama, poderiam ter levado o filme a uma outra direção. Ele pode empolgar os aficionados por jogos, mas ser uma tremenda decepção para o resto. Ou como o filme mesmo menciona, pode ser “catastroférico”.

Por: Wilson Netto

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