Crítica: A Dama Dourada

Helen Mirren faz novamente um belo trabalho, e mostra que cada ruga no seu rosto representam anos de experiência que fazem jus a grande atriz na qual se tornou.

Hellen Mirren em cena de “A Dama Dourada” (Divulgação/Diamond Films)

Um dos filmes mais precisos desse ano, A Dama Dourada faz um belíssimo trabalho e mostra que ainda é possível fazer um bom filme sem o uso de tanta tecnologia. Percebemos como o trabalho é minucioso e sem exageros, considerando interpretações, textos e parte técnica (som, luz e edição). A Dama Dourada segue a mesma linha vista em Philomena (vivido por Judi Dench) e talvez por isso algumas críticas tão duras foram feitas ao longa. Comparações à parte, Helen Mirren não fica devendo em nada a Dench. E é a própria Mirren que define o tom do filme.

O filme é baseado no livro “The Lady in Gold: The Extraordinary Tale of Gustav Klimt’s Masterpiece, Bloch-Bauer” e retrata a história de Maria Altmann (Helen Mirren), uma refugiada Austríaca que vive em Los Angeles. Passados 58 anos após sua fuga, ela tenta recuperar um dos bens que sua tia Adele Bloch-Bauer (Antje Traue) a deixou: uma pintura do Gustavo Klimt, Portrait of Adele Bloch-Bauer I ou “Woman in Gold”. Tal pintura foi retirada a força dos Bloch-Bauer quando o partido nazista invadiu a Áustria e roubou cerca de 100 mil obras de arte. Para conseguir tal feito Mrs. Altmann recorre ao advogado e filho de uma amiga, Randy Schoenberg (Ryan Reynolds). Mesmo sem possuir uma vasta experiência para assumir tamanha responsabilidade e tentar recuperar um quadro avaliado em mais de 130 milhões de dólares, Randy luta com determinação para reaver não apenas uma obra de arte, mas a dignidade roubada de um povo que muito sofreu durante o nazismo.

Helen Mirren e Ryan Reynolds conseguem fazer uma performance impressionante. Muito se foi falado de Mirren estar apenas repetindo a façanha conseguida em A Rainha, mas se trata de personagens distintos, com personalidade e características distintas, e injusto com a atriz tentar diminuir seu brilhante trabalho. O Ryan Reynolds teve como principal desafio não deixar se ofuscar pelo talento da Helen. Ele faz um trabalho sem muitos floreios, o que torna o personagem muito mais real.

O elenco foi o fator mais acertado do filme. Daniel Brühl (que fez grande sucesso em Rush) interpreta Hubertus Czernin, muito importante para a ação movida pela Mrs Altmann contra o governo Austríaco. Katie Holmes faz a mulher de Randy Schoenberg, Pam Schoenberg. Uma surpresa foi de fato ver a Tatiana Maslany (Orphan Black) interpretar a jovem Mrs. Altmann de maneira singular. Diferente da personagem de Katie, Tatiane mostra uma mulher guerreira, segura no almeja e no que faz. Tatiane embora nascida no Canadá, tem raízes Austríacas e tal ligação fica claro na sua fluência em Alemão-Austríaco. Também difícil de imaginar uma melhor atriz para o papel. Adicionalmente, temos a presença de Charles Dance (Game of Thrones), Jonathan Pryce (Game of Thrones) e Elizabeth McGovern (Downton Abbey), o que mostra que o elenco foi algo levado muito a sério na pré-produção do filme.

Não só o elenco merece destaque, mas a preocupação da fidelidade com a época mostrada. O longa se passa sobretudo nos anos de 1940 e 1998. Em cada sequência que mostra um ano diferente, fica muito claro perceber os elementos de tal época. Cores, carros, hábitos linguísticos, roupa, faz o público entender como um trabalho bem feito resulta num produto de qualidade.

Alguns problemas encontrados são: falta de acurácia quanto a alguns acontecimentos retratados no livro; o uso excessivo de flashbacks, que embora seja importante para compreender o passado, não foi usado de forma ponderada; e o jogo de câmeras, em que cenas que poderiam ter explorado muito mais dos atores, se preocupam em mostrar algo que não é tão relevante.

A Dama Dourada é o mais atual exemplo de que nem sempre ter elementos demais acrescenta algo positivo. Um dos desafios de um cineasta atual é saber ponderar o que ele tem disponível e o que de fato é necessário ser usado. Bons atores, uma boa direção e uma incrível equipe técnica já um grande começo para um merecido sucesso.

Por: Wilson Netto

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