Crítica: Exorcistas do Vaticano

Ângela Holmes acidentalmente corta seu dedo e vai parar na emergência, quando a infecção do ferimento faz com que ela comece a agir de forma estranha e assombrosamente começa a causar ferimentos graves e até mortes nas pessoas ao seu redor.

Olivia Taylor Dudley que interpreta Ângela na cena que antecede o seu exorcismo (Distribuição/Diamond Films)

Terror é o gênero de filme que infelizmente tende a cair numa armadilha de clichês, e Exorcistas do Vaticano mostra que essa teoria está mais uma vez correta. Filme previsível, onde os personagens não apresentam nenhum desenvolvimento no decorrer do filme, e as cenas chaves são uma junção de elementos que não tem nenhum significado no contexto do filme. Mais um para lista de 1001 filmes que você não deveria ter assistido antes de morrer (caso exista tal lista).

O filme narra a história de uma jovem, bonita, repleta de amigos e um namorado que a ama. Ângela Holmes (Olivia Taylor Dudley) é tal jovem, mas ela vê sua vida tomar um rumo totalmente inesperado após um corvo mordê-la e tal ferimento desencadear uma série de fenômenos sobrenaturais. Após várias mortes causadas misteriosamente pelo novo poder oculto de Ângela, o padre Lozano (Michael Peña) estuda o comportamento da jovem e observa que ela possui muito mais que um poder oculto, ela está possuída. À par de vários outros casos de possessões, o vaticano percebe que o caso de Ângela foge aos padrões anteriores, e que se trata de um episódio muito mais sério. Tal preocupação leva o vaticano enviar um dos seus principais cardeais para tratar tal possessão.

Ao usar as filmagens do exorcismo e mostrá-las como propriedade do vaticano, o filme tenta criar uma atmosférica de veracidade, o que poderia conferir mais seriedade e um maior caráter aterrorizante. Mas isso não acontece. O fraco elenco mostra a vulnerabilidade do longa. Nenhum ator consegue convencer em nenhum personagem. Expressões faciais e corporais que não mudam em nenhum momento do filme, provam a falta de uma característica muito importante em um bom ator: linguagem corporal (embora que pareça estranho falar da falta de linguagem corporal num filme que é sobre exorcismo).

A forma que o filme foi construído fez com que ele causasse uma sensação de decepção. No começo do filme, ao mostrar os tapes de posse do vaticano nos dá uma ideia do tom que irá seguir no resto do filme. Entretanto, vemos tal linha ser desconstruída ao mostrar apenas o caso de Ângela e o foco passa ser exaustivamente nela. Consequentemente, se torna algo cansativo e monótono de assistir. Nem a referência feita ao clássico O Exorcista (cena em que o cardeal aparece com o chapéu) conseguiu melhorar a imagem do filme.

Exorcistas do Vaticano foi infeliz devido a sua incapacidade de construir uma base mais sólida para desenvolver a narrativa. Apenas pegou um contexto, acrescentou alguns elementos religiosos e esperou que isso se tornasse convincente o suficiente para criar o suspense. Como ficou mais do que claro, não funcionou. É preciso muito mais do que apenas intenções para produzir um filme, e muito mais do que um corpo contorcido para provocar o medo.

Por: Wilson Netto

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