Crítica: O Agente da U.N.C.L.E.

O filme conta com pontos fortes como o elenco e a direção, mas sua história se perde um pouco com o desenrolar. Ainda assim garante diversão de boa qualidade.

Henry Cavill e Armie Hammer em O Agente da U.N.C.L.E. (Distribuição/Warner Bros)

O que estariam fazendo o Superman e o Caveleiro Solitário juntos no mesmo filme? Trabalhando para organizações secretas que combatem o nazismo. Henry Cavijl e Armie Hammer são respectivamente Napolean Solo e IIla Kuryakin em O agente da U.N.C.L.E., uma adaptação da série clássica de 1964 com mesmo título.

O filme conta a história de como um agente da CIA (Cavill) e outro da KGB (Hammer) tem que superar seus egos e trabalharem em conjunto para evitar que o grupo terrorista tenha posse de ogivas nucleares. Tal ogiva está sendo desenvolvida pelo cientista Udo Teller (Christian Berkel), mas seu paradeiro é desconhecido. Qual seria a tática lógica para encontrá-lo? Achar sua filha Gabriella “Gaby” Teller (Alicia Vikander), e torna missão de Solo e Kuryakin usar Gaby para tomar posse das ogivas antes dos terroristas.

Para começar a falar sobre o filme em si é preciso lembrar que falamos de um filme de Guy Ritchie (Sherlock Holmes), a partir de então vários elementos do filme começam a fazer mais sentido. A forma retrô no qual é filmado e a preocupação com a estética são características marcantes do diretor e que podem ser facilmente encontrado no novo longa. A trilha sonora é algo muito singular. Um fato bastante curioso é que muitas vezes Ritchie abre mão de diálogos e sons característicos da cena (de suspense, de perseguição, ou até mesmo ambiente) para dar vez a uma música ou uma trilha sonora diferente do que poderia se esperar. Tal técnica funciona nos seus filmes. São músicas que de primeira impressão não se encaixariam na cena, mas que se observado de uma ótica mais excêntrica, faz todo sentido e torna o conjunto mais completo e divertido de se experienciar.

Outra característica no filme do Ritchie é como ele brinca com o estereótipo do personagem. O Henry Cavill é fatalmente o modelo de beleza americana, não à toa ele também interpreta o Superman. Tal beleza é usada no personagem do Solo como algo que define sua personalidade: um agente da CIA galã. Seria um clássico clichê em qualquer outro filme, mas não em um filme do Ritchie. Outro estereótipo genialmente trabalhado é o do agente russo da KGB. O Armir Hammer apesar de ser americano, mostra um sotaque russo que faz com que a seriedade seja seu ponto mais marcante. É novamente clichê? Sim, mas usado de forma coerente a tornar o personagem cômico.

O roteiro é um divisor de águas referindo-se a opinião pública. O filme inegavelmente possui diálogos muito bem construídos e bem pontuados, considere como exemplo a cena que Gaby e Solo estão no carro fugindo de Kuryakin. Em contrapartida, a parte histórica e central do roteiro gera certa desconfiança, pois apesar de ser baseado em um contexto real, apresenta distorções factíveis. Algo que pode incomodar também é a quantidade de plot twists que o filme usa do meio para o final (recurso também utilizado com frequência no Sherlock Holmes). Portanto o incomodo vai de como o público vai interpretar tais reviravoltas, ou acreditando que o filme é inteligente ou que é só artificio para desviar a atenção do roteiro fraco.

O Agente da U.N.C.L.E. é uma caricatura de filmes de ação que apresenta os elementos da ação e traços de sátira. O filme diverte e mostra muita competência técnica. Não consegue manter-se no mesmo nível até o fim, mas ainda assim merece crédito pelo que conseguiu construir: uma sólida química entre os atores e uma empatia com o público, feito de forma original e sem truques.

Por: Wilson Netto

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