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Crítica: Evereste

Evereste empolga mas não se reinventa.

Jason Clarke em Evereste (Distribuidora/Universal)

O título do filme traz consigo o seu principal trunfo: o Evereste. Muito mais que os atores presentes, que contém nomes de significativa relevância, ou muito maior que os efeitos especais utilizados, filmado até em 3D para aumentar sua grandiosidade, Everest impressiona pelo motivo mais corriqueiro, a própria imponência do monte asiático.

O filme narra uma tragédia real que aconteceu em 1996, ano fatídico que levou a morte de 19 pessoas. Escalar o monte Evereste é o sonho almejado por todo alpinista e chegar até ele, não é apenas a materialização de tal sonho como uma prova de superação pessoal. Infelizmente, muitas pessoas morreram tentando alcançar o pico ou ao descer dele.  Entre os mortos na tragédia de 96 estavam os experientes e profissionais alpinistas Rob Hall e Scott Fisher, tais figuras são a linha central da história do filme. O roteiro opta por explorar bastante a relação entre os guias da Adventure Consultants, empresa de alpinismo do Rob, com os seus clientes. O respeito reciproco e a confiança entre os alpinistas, seja o cliente ou o guia, leva por dar uma ênfase maior no questionamento central no filme: até que ponto o ser humano põe sua vida em risco para salvar a do próximo?

O experiente elenco faz o filme ter maturidade e consistência quanto a atuações, entretanto os atores não tem uma liberdade muito visível para com os seus personagens. Fica a dúvida se essa falta de liberdade foi um trabalho fraco do roteirista, do diretor, ou da própria história baseada em fatos reais que não permitia um distanciamento de personalidades com os papéis reais.

A parte técnica é algo a se louvar, em alguns aspectos, devido à complexidade em retratar o Evereste nas telas. Embora o 3D tenha aumentado a sensação de profundidade do filme, não chega a acrescentar de forma significativa. Outro problema foram as tomadas superiores. O excesso delas mostra um relaxamento da equipe técnica em mostrar com mais detalhes as montanhas ao redor ao invés de colocar tudo sob efeito das telas verdes.

Outra discussão bastante evidente no filme é a não proibição de pessoa inexperientes escalarem a montanha, pondo em risco não só a própria vida como as dos outros na expedição. Uma falta de preparação ao se deparar com situações adversas deixa claro como tais questionamentos são importantes e não podem ser considerados irrelevantes.

Evereste é um longa que consegue retratar um evento real e não ter tantas influências hollywoodianas. Apesar de ter obtido tal feito, ainda apresenta certos vícios inerentes a filmes do gênero, tais como criar anticlímax e criar suspeitas dos personagens colocando em dúvida se será um personagem pleno ou redondo, ou seja, se manterá o mesmo perfil até o final ou não. Evereste agrada ao deixar a mensagem no qual se propôs: a natureza manda e quanto melhor sua adaptação a ela, mais chance terá de safar.

Por: Wilson Netto

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