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Crítica: Peter Pan

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O notório personagem criado por J. M. Barrie ganha mais uma adaptação cinematográfica, uma segunda versão live-action dessa vez levada aos cinemas pelos estúdios Warner Bros. A novidade aqui é que não temos Wendy, João e Miguel, pois esta é a história da origem de Peter Pan, sobre como ele chegou à Terra do Nunca e como ele se tornou o garoto que não queria crescer.

A ideia de contar uma “nova” história parece bem mais instigante do que uma simples releitura, o que diferencia, por exemplo, Malévola (2014) e Cinderela (2015), recentes lançamentos da Disney. Mas quando essa ideia se perde num mar de clichês, personagens bidimensionais e numa aventura nada empolgante, o resultado é como esse novo Peter Pan.

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É impressionante a variedade de obras, também de fantasia, que surgem na sua cabeça enquanto você assiste ao filme. A cada aparição de um novo personagem o espectador associa primariamente a algum arquétipo do gênero para depois, muito depois, associar aos personagens conhecidos na história tradicional de Peter Pan. “Hmm, olha lá o personagem engraçado que vai acompanhar os heróis na jornada”, “Esse é o cara bonito e charmoso que tem algum desvio de caráter, mas que ajuda o herói”, “Ó lá a única heroína feminina que é quase uma irmã para o herói, que luta muito e que, claro, vai se apaixonar pelo bonitão”. Enquanto vários filmes dessa nova leva de clássicos infantis tentam humanizar seus personagens, o roteirista Jason Fuchs parece nem se esforçar pra isso.

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O roteiro segue totalmente conveniente a ele mesmo à medida que o filme vai avançando. Resoluções fáceis são dadas a questões que não pareceriam tão simples de resolver, como quando o James Gancho é preso, sem nenhum porquê, numa cela vizinha a de Peter, para resultar na fuga deles juntos. Ou quando o Barba Negra, que há poucos minutos matava crianças sem nenhuma piedade, resolve conversar pacificamente com o garoto que ele acredita ser o seu maior inimigo, para explica-lo (e a nós espectadores) sobre a missão do jovem Peter.

Fuchs e o diretor Joe Wright se apoiam também em elementos já conhecidos do público para estabelecer conexões, quando apresenta, por exemplo, o vilão Barba Negra e seus escravos mineradores clamando o hino do rock Smells Like Teen Spirit, de Nirvana. Ou quando eles insistem em fazer o espectador entender que James Gancho, que ali é um dos bonzinhos, será o Capitão Gancho, no futuro o inimigo nº 1 de Peter Pan. Durante todo o filme eles batem nessa tecla, seja nos primeiros minutos, quando uma narração nos alerta de que às vezes nossos inimigos começam como amigos ou vice-versa, ou no diálogo final, que é quando você baixa a cabeça de vergonha, no momento em Peter conversa com Gancho sobre o futuro e diz algo do tipo “O que poderia acontecer entre nós haha?”.

O jovem Levi Miller se mostra uma verdadeira revelação, sendo o maior destaque do elenco, mesmo que o sempre ótimo Hugh Jackman apareça irreconhecível por trás da caricatura do Barba Negra. Garrett Hedlund, que vive Gancho, e Rooney Mara, a princesa Tigrinha, não tem espaço e nem bons personagens nas mãos. Há ainda as participações especiais de Amanda Seyfrield como a mãe de Peter, e a de Cara Delevigne, que me fez questionar porque seu agente achou uma boa ideia dispor a atriz a ter o rosto capturado para aparecer por dois minutos, sem uma fala sequer.

Claro que Peter Pan ainda pode agradar, principalmente o público infantil. O visual e a qualidade técnica do filme não deixam a desejar. O filme tem bons momentos que se provam bons graças a esses recursos, como quando um navio pirata sobrevoa Londres enquanto é perseguido pela força aérea britânica, ou quando conhecemos o passado da Terra do Nunca através de animações em 3D encantadoras.

Embora reserve esses bons momentos, Peter Pan é um exemplo do que não aguentamos mais ver em Hollywood. Histórias que já conhecemos, com um ou outro toque de novidade, mas que só nos trás o sentimento de frustração, de que estamos perdendo tempo e dinheiro comprando algo que já consumimos todos os dias.

Peter Pan (Pan, 2015, EUA, INGLATERRA, AUSTRÁLIA)

Avaliação do editor:

Sinopse: A história de como Peter Pan chegou à Terra do Nunca e fez contato com os seres mágicos que vivem no local.

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Evandro Lira
Evandro Lira
Estudante de Cinema e Audiovisual, escreve para o Café de Ideias com a desculpa de falar de uma das coisas que mais gosta, o cinema.
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