Compilação de curtas, Amor Arde, descreve encontros e desencontros

Imagem da área interna do Cinema São Luiz (Foto: Victor Jucá/Flickr Janeladecinema)
Imagem da área interna do Cinema São Luiz (Foto: Victor Jucá/Flickr Janeladecinema)

Luiz de Camões disse que “o amor é fogo que arde sem se ver”. Lembrei do verso desse poeta quando vi que o bloco de competição de curtas da terça (10/11) foi intitulada de O amor arde. Já no início da sessão foi anunciado que os quatro curtas abordariam encontros e desencontros de casais.

O primeiro curta que ocupou a tela do São Luiz foi A Outra Margem, um filme de Nathália Tereza. No inicio da obra conhecemos a voz marcante do locutor da rádio Amor Sem Fim e Jean que com o som do carro ligado bebe alguns goles de cerveja e passeia com seu carro pela cidade. O local aparenta ser o centro de uma área rural. Entre alguns singles sertanejos o locutor da rádio fala recados de amor enviados para rádio. Um desses foi enviado por Carol com destino a Jean, mudando o rumo monótono que o protagonista seguia. A monotonia era sentida não apenas na expressão e no silêncio do personagem, mais também pela fotografia escura que representava a angústia do personagem. O curta mais maduro dentre os que serão analisados aqui, A Outra Margem trouxe um ardor que deu vida a Jean. O riso dele no final nos traz a certeza disso e essa felicidade vem acompanhada da música Êxtase de Guilherme Arantes.

O segundo curta da tarde, No Dia em Que lembrei da Viagem a Bicuda, trata-se de uma recordação do protagonista com uma antiga namorada. Ela que queria perder a virgindade viaja para Bicuda com ele. Entretanto, a falta de habilidade dos dois transforma o que seria uma noite de sexo em uma busca por atingir expectativas. O protagonista parece se sentir culpado por não realizar o que sua namorada queria. A toda hora ele tenta conseguir uma ereção, algumas vezes sozinhos outras com a ajuda dela, que no primeiro momento se mostrou conformada mais em seguida vai se irritando com a insistência do namorado. Ele parece a personificação daquela velha história machista de que um homem de verdade não pode falhar. Mas pasmem!… podem sim, seja pelo nervosismo e/ou pelas várias doses de vinhos do jantar. A fotografia é agraciada pelo belo cenário que o morro da Bicuda proporciona. As músicas descoladas da década de 80 traz uma ambientação perfeita para o casal enquanto eles constroem as expectativas para a primeira noite.

Com cerca de 2 minutos, Estudo de Persistência, o terceiro curta da mostra traz de forma experimental uma série de autorretratos íntimos de casais. Todas as fotos foram tiradas com flashs, o que proporciona o anonimato das pessoas. A intensidade da luz é um reflexo do momento de prazer que os casais estão sentindo na hora do sexo e isso arde aos nossos olhos por conta da luz forte que persistentemente surge na tela a cada nova imagem,  provocando agonia em quem está diante da telona. Dirigido por Krefero, Estudo de Persistência conseguiu fazer com que o público fechasse os olhos para algo que tem se tornado cada vez mais comum na vida real, o vazamento de fotos de pessoas em momentos íntimos.

Pra encerrar a mostra de curtas, Lembranças de Mayo. O mais amador de todos os filmes, a produção traz um filme sem unidade. Histórias vão sendo apresentadas aleatoriamente e não conseguem despertar interesse. A história gira em torno de uma protagonista que resolve deixar a cidade onde mora, após se encantar com um dos membros da banda Os insetos do Amor. Morando na casa do sua nova paixão, ela passa a conviver com seu sogro que sempre morou com um filho. Entretanto o sogro passa a ter um comportamento diferente, tudo isso parar despertar a atenção da nora que ele acha muito atraente. O filme torna o personagem do sogro uma figura jocosa. A protagonista segue de forma ímpeta em busca dos seus desejos.

O amor foi surgindo nesses curtas entre o ardor que nos queima de prazer e aquele que nos perturba pelo sua dor, mostrando alternativas aos versos de Camões, pois o amor pode ser uma ferida que dói e que se sente; um contentamento contente; e uma dor que desatina dolorosamente.

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