Crítica: Malala

Malala Yousafzai é uma ativista paquistanesa e a pessoa mais jovem a receber um prêmio nobel. Sua luta pelos direitos humanos e igualdade de gêneros lhe trouxe muitas marcas além do nobel da paz em 2014, como uma paralisia do lado esquerdo do corpo pelo atentado terrorista que sofreu do grupo Talibã em 2013. O grupo terrorista atribui o atentado como uma forma de impedir uma possível revolução ideológica em Swat, lugar onde morava. Em carta emitida por um dos líderes do talibã, Adnan Rasheed, ele afirma:  “O que você está fazendo agora é usar a língua para acatar ordens dos outros.”, o que reafirma o descontentamento do grupo com o poder de influência da jovem.

O filme, que leva o nome da protagonista, é um documentário que nos imerge no dia a dia de Malala e retrata sua trajetória, que apesar de ser curta já é bastante impressionante. Conhecendo um pouco da personalidade da garota fica mais fácil entender a motivação que a leva a lutar com tanta dedicação pela igualdade, não só do seu povo, mas de todos aqueles que sofrem alguma forma de repressão.

O documentário utiliza de trechos de entrevistas, situações cotidianas e até mesmo ilustrações animadas para ir de encontro a ideia que documentário tem que ser algo monótono ou desinteressante. Vale ressaltar a experiência do diretor David Guggenheim que já dirigiu outro documentário de sucesso: Uma Verdade Inconveniente. A edição foi feita com o objetivo de o filme ter uma boa recepção com o público, sempre evitando cenas de grande impacto e recorrendo à empatia da protagonista para comover o telespectador. Tais fatores podem sugerir nada mais que uma estratégia de mercado do diretor para popularizar seu filme, assim como acusam a própria Malala do mesmo ‘crime’, que passou de ser uma voz que busca a igualdade para ser um produto que a vende. Entretanto, tornar algo comercializável (no caso do filme) nem sempre significa perder qualidade, apenas ressaltá-las.

Uma figura de bastante destaque no filme é Ziouddin Yousafzai, o pai de Malala. Ziouddin é um diplomata e consultor da ONU em educação global. Ele é de fundamental importância para a formação da filha e construção de sua personalidade. Como mostra o documentário, Ziouddin teve problemas para conseguir se comunicar em público quando jovem devido a gagueira. Para enfrentar a gagueira, pediu ao seu pai que escrevesse um discurso e iria lê-lo em cima de um palanque. Tal feito o encorajou e o levou a superar obstáculos, para assim difundir seus princípios e ideais. Com tamanha inspiração, Malala não poderia trilhar um caminho diferente.

O que leva o filme a ter um grande apelo popular é a relação de intimidade que o espectador cria com os personagens. Criada numa região pouco habitada no Paquistão, o Vale do Swat, Malala levou uma vida comum a outras jovens de mesma idade. Frequentava a escola, brincava na rua, mantinha um círculo de amizades, e tinha as mesma dúvidas e medos que passamos na puberdade. Quando questionada diversas vezes nas entrevistas sobre namoro e atração por garotos, Malala mostrava desconforto e vergonha, como ficaria a maioria das garotas, ainda mais considerando uma garota de uma religião que trata relacionamentos de uma forma tão séria como o Islamismo. Isso reforça a imagem que apesar da mente brilhante, Malala é tão humana e normal como todos nós. Se ela pode conquistar o posto de disseminadora mundial da paz, assim também o podemos e essa é a principal mensagem deixada pelo filme. As pessoas não são definidas apenas pelo lugar onde nascem ou pelas pessoas com que cresce, mas pela junção de tais fatores e as escolhas que você toma a partir deles. Fazer as escolhas certas é necessário em tempos tão necessitados como o que vivemos, e Malala as fez.

Por: Wilson Netto

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