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Terceiro dia de Janela de Cinema tem clássicos mas encerra com o fraco ‘A Seita’

Fachada do Cinema São Luiz anuncia projeções do 3º dia do VIII Janela Internacional de Cinema do Recife (foto: Victor Jucá/Flickr Janeladecinema)
Fachada do Cinema São Luiz anuncia projeções do 3º dia do VIII Janela Internacional de Cinema do Recife (foto: Victor Jucá/Flickr Janeladecinema)

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O terceiro dia do VIII Janela Internacional de Cinema do Recife no Cinema São Luiz começou cedo. Ás 11h da manhã de domingo (08/11), a sessão estava quase lotada de adultos e crianças para a exibição de “Fantasia” (1940), clássico dirigido por Norm Furguson que traz uma leitura dos animadores da Disney para músicas clássicas, tocadas por uma orquestra especialmente para o filme. Com traços bem desenhados, a sutileza e a sensibilidade das animações 2D da Disney e a ilustre presença do Mickey, a sessão de ‘Fantasia’ foi bem recebida, com aplausos ao fim da projeção.

Durante a tarde, houve a exibição de outro clássico, “Amor Sublime Amor” (“West Side Story”, 1960). Dirigido por Robert Wise e Jerome Robbins, o filme traz uma disputa de guetos que fica mais acirrada após um romance iniciar entre entre um casal de lados diferentes da briga. Em seguida, foi projetada a Mostra Competitiva de Curtas Brasileiros, dessa vez com o tema “Acerto de Contas”. A noite abriu com o longa “Aspirantes” na Mostra Competitiva de Longas. O filme de Ives Rosenfeld retrata a vida de um rapaz que sonha em ser um jogador de futebol profissional embora lhe falte talento e tenha inveja em excesso.

A noite se encerrou com o pernambucano “A Seita”, talvez o mais esperado do dia. A produção é o primeiro longa metragem do cineasta André Antônio e produzido pelo coletivo Surto & Deslumbramento. A trama se passa na cidade do Recife no ano de 2040 quando um jovem decide sair das colônias espaciais para retornar à cidade, encontrando-a degradada e descobre uma a existência de uma seita. Durante a exibição do filme era visível a inquietação do público com algumas pessoas abandonando a sessão antes mesmo filme se encerrar. Ao fim da projeção, muito se comentava sobre os problemas do longa metragem, que não supriu as expectativas do público.

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Cheio de defeitos, longa pernambucano "A Seita" foi alvo de críticas do público após a sessão (Foto: Victor Jucá/Flickr Janeladecinema)
Cheio de defeitos, longa pernambucano “A Seita” foi alvo de críticas do público após a sessão (Foto: Victor Jucá/Flickr Janeladecinema)

Mesmo tendo pouco mais de uma hora de duração, “A Seita” torna-se longo e cansativo, com um fraco roteiro e cenas em que nada se desenvolve. A temática proposta pelo filme pareceu mal aproveitada, principalmente nos momentos finais, com o surgimento da seita que dá título ao filme. A direção de câmera incomodava, as atuações deixaram a desejar, principalmente na dicção dos atores – alguns espectadores relataram ter de recorrer às legendas em inglês para entender o que os atores falavam (em português) em alguns momentos.

Outro grande problema é a falta de identificação do público com o personagem, completamente apático e com nenhuma característica que pudesse imergir o público na trama. Durante o debate realizado após a projeção de “A Seita”, o diretor André Antônio contou que sabia desse problema na construção do personagem. “É um personagem difícil do público se identificar mas isso era o que me instigava em fazê-lo”, justificou. Sobre o protagonista, interpretado por Pedro Pinheiro, Antônio explicou: “É uma figura do século 19, que se preocupa com a aparência e coisas superficiais e é alguém que tem um interesse muito grande pela beleza e pelos prazeres da vida, mas ao mesmo tempo é uma beleza que nunca se leva a sério”. Diante de tantos problemas, pode-se elogiar apenas a direção de arte, principalmente nas cenas da seita, que ficaram esteticamente bem trabalhadas.

O VIII Janela Internacional de Cinema do Recife continua até o dia 15 de novembro de 2015 no Cinema São Luiz, Cinema da Fundação e Cinema do Museu.

 

 

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.
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