Crítica: À Beira Mar

bythesea006

O terceiro longa dirigido por Angelina Jolie, À Beira Mar, é o segundo escrito por ela e, desses, é o primeiro estrelado. Aqui ela divide tela com o marido Brad Pitt, evento que só havia acontecido na comédia de ação Sr. e Sra. Smith, há dez anos, onde eles se conheceram. E em À Beira Mar a atuação do casal é, sem sombra de dúvidas, o que carrega o filme.

A trama se desenrola toda praticamente em um quarto de hotel, onde a personagem de Jolie passa a maior parte do tempo. Ela é Vanessa, uma ex-dançarina, casada há catorze anos com Roland (Brad Pitt), um escritor, que busca naquele vilarejo da França onde eles se hospedam, inspiração para o seu próximo livro. Fica claro logo de início que há algo de intrigante naquela relação, e o frustrante é perceber que o mais intrigante provavelmente está na sua cabeça, já que o roteiro é previsível e perde força no final.

Roland é mais simpático e sociável que a esposa. Ele vive num café ouvindo e compartilhando histórias com o proprietário Michel (Niels Arestrup), a maioria delas sobre casamento, mostrando que ele esta constantemente refletindo sobre sua relação. Vanessa passa grande parte do seu tempo sozinha, na cama, sobre uma aura depressiva, ou tomando sol na varanda do seu quarto, observando as pessoas tomando sol lá fora ou o movimento dos pescadores no mar. Numa dessas ela conhece um casal, vividos por Mélanie Laurent e Melvil Poupaud, que estão em lua de mel no quarto vizinho. E se de inicio ela não parece demonstrar nenhum interesse neles, logo ela passa a observá-los constantemente por um buraco na parede do quarto.

A ideia do voyeurismo está marcadamente presente no filme. Vanessa encontra nele um passatempo que aos poucos vai se tornando motivo para crises e teorias quanto ao seu próprio casamento.

É gratificante notar que Angelina Jolie entrega um filme bem mais intimista e bem menos ambicioso que seus anteriores, não só no que se refere ao roteiro e a temática mas também nos arroubos dramáticos, que em À Beira Mar são bem mais sutis. Não há a mão pesada de Jolie aqui.

A fotografia e trilhas sonoras são discretas, não chamam atenção para si, até mesmo a direção de arte é comedida, deixando o espectador na dúvida sobre a época em que se passa o filme, por exemplo.  Ainda assim, o filme não é tão poderoso quanto ele poderia ser, graças a um roteiro que vai do instigante ao desinteressante e depois ao piegas.

Por: Evandro Lira

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