Crítica: A Visita

Cena do Filme A Visita (Reprodução/Blumhouse)

Críticas de filme não deveriam sair atribuindo adjetivos aleatórios, seja de caráter construtivo ou depreciativo, mas sim apontar as nuances do filme, tanto as boas quanto as ruins. Quando se trata do novo filme do M. Night Shyamalan, A Visita, fica difícil de seguir tal recomendação. A visita é um filme chato, que não tem nenhum elemento sólido para atingir um clímax ou um desfecho lógico. A falta de consistência é algo presente em todo o filme, inclusive em seus poucos personagens.

O filme é narrado por Rebecca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould), dois adolescentes que estão fazendo um documentário sobre a mãe, Paula Jamison (Kathryn Hahn), o que inclui saber mais sobre seu passado. Tal motivação os levam a passar uma semana com seus avós, até então nunca visitados. Para a surpresa de Rebecca e Tyler, os avós não são tão doces e carinhosos quanto parecem, apresentado um distúrbio de personalidade e comportamento. Uma visita que era para durar uma semana, parece se prolongar pela eternidade. Assim como o filme.

A Blumhouse é a produtora de A Visita e que tem garantido um expoente sucesso com seus filmes, vide Atividade Paranormal, A Entidade e Whiplash. A principal proposta da produtora é fugir dos orçamentos monumentais de hollywood e fazer filmes com um baixo custo e que ainda assim fature como um blockbuster. Tempos em que grandes efeitos especiais não mais garantem um sucesso de bilheteria, se torna mais seguro para a produtora apostar em menores produções. Uma das formas de reduzir o custo são utilização de câmera amadoras, como feito em A visita; um elenco enxuto, como feito em A visita; e um comum local de gravação, como feito em A visita. O motivo desses fatores não terem funcionados no filme foi o repetido uso dessa fórmula não dispondo de um roteiro bem amarrado.

O diretor M. Night Shyamalan já possui uma fama um tanto quanto negativa pela falta de qualidade nos seus últimos trabalhos (No Fim dos Tempos, O Último Mestre do Ar) e se repetiu em A Visita. O trabalho do diretor se torna relativamente mais fácil quando o enquadramento da cena é feito por dois adolescente sem experiência. Então qualquer erro, falha ou antiprofissionalíssimo pode ser ‘justificado’ pela situação. Entretanto, faz parte do papel do diretor supervisionar o produto final, considerando todos os elementos: roteiro, luz, som, edição, e garantir que o conjunto deles resultem em algo de qualidade. Shyamalan falhou mais uma vez.

Certa controvérsia sobre como analisar a qualidade filme gira em torno do gênero escolhido. Classificado como terror, o filme fracassa em todas as tentativas para se adequar a tal gênero. Em contrapartida, se considerássemos como uma sátira a como se fazer um filme de terror, possivelmente o longa teria muito mais credibilidade. A visita é um filme que apresenta bastante dubiedade, o terror que não dá medo, o sério que é engraçado e o engraçado que é bobo (mesmo ainda assim sendo engraçado). Ou seja, é um filme que se ama ou se odeia.

Por: Wilson Netto

 

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