Crítica: As Sufragistas

Atualmente no Brasil uma mulher recebe, em média, 30% a menos que um homem, isso desempenhando uma mesma atividade. Uma desigualdade explicita que vem sendo combatida diariamente por quem acredita na importância da igualdade de direitos. Mudanças nas condições de trabalho e na ocupação de cargos já aconteceram, mas para chegar a realidade atual muitas mulheres no passado iniciaram uma luta e esse é o plot de As Sufragistas, dirigido por Sarah Gavron.

Maud Watts (Carey Mulligan) cresceu na lavanderia onde trabalha com seu marido, lá ela e outras dezenas de mulheres são subordinadas ao desrespeito do homem que conduz o negócio. A primeira vez que Watts percebe o movimento sufragista é com uma ação de um grupo de mulheres nas ruas que gritam “votes for women”.

Sem entender bem o apedrejamento que acompanhava o grito das mulheres, Watts se afasta da agitação, mas aos poucos ela vai entrando em contato com o sufragismo, principalmente pelo incentivo inicial de sua colega de trabalho, Violet Miller.

O envolvimento de Watts com as sufragistas vai crescendo a cada cena e situações vão a tornando protagonista de sua história. Situações machistas consideradas até então banais por ela vão ficando mais claras e lhe causando revolta. Tudo isso faz ela perceber o quanto é preciso lutar pela igualdade de direitos e que o primeiro passo para conseguir essa mudança é fazer a mulher se tornar um sujeito político. O direito de votar é outro passo importante para isso.

Outras personagens estão envolvidas nessa luta entre elas Edith Ellyn, interpretada maravilhosamente por Helena Bonham Carter. Ellyn é uma das personagens mais carismáticas e persuasivas quando o assunto é despertar outras mulheres para o movimento. Bonham Carter, com sua personagem, consegue trazer Watts e o telespectador para a luta. Papel semelhante também é desempenhado por Emmeline Pankhurst (Meryl Streep), entretanto ela só aparece em uma sequencia ao longo do filme.

O figurino do longa é um elemento da produção que merece destaque, além da fotografia. Ambos acompanham a transformação da lavadeira Watts na sufragista Watts. No inicio pouco se vê da pele da personagem ao mesmo tempo que a fotografia é mais fria e cinzenta, com as mudanças da protagonista chega o fim do inverno inglês e podemos ver Watts com mais clareza por conta das imagens com tons mais “quentes”.

O que falta no filme é apenas personagens como a de Bonham Carter e um texto mais que vá além de fatos e provoque no telespectador a vontade de ser uma nova Watts, capaz de perceber sua realidade e lutar por mudanças. Percebe-se que o filme tenta em algums momentos fazer isso através da comoção do drama que envolve o filho de Watts.

As Sufragistas é um drama baseado em fatos reais que mostra o inicio da história do feminismo. O filme também nos faz refletir sobre as mudanças já alcançadas e aquelas que ainda não conseguimos alcançar e que o discurso comum apenas omite, afinal as condições de trabalho mudaram, mas hoje as mulheres ainda tem um salário inferior aos dos homens no nosso país, mesmo esse tendo sido um dos principais motivos que levou as sufragistas inglesas as ruas no início do século XX.

Por: Lais Rilda

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