Crítica: Olhos da Justiça

Os três principais atores de Olhos da Justiça (Distribuição/Diamond Films)

O filme Olhos da Justiça traz uma irreconhecível Julia Roberts que consegue se destacar consideravelmente por sua atuação impressionante. No filme Julia interpreta Jess Cobb, uma policial que teve sua vida drasticamente abalada após a morte de sua filha. Seu companheiro de profissão e amigo, Ray Karsten (Chiwetel Ejiofor) promete à Jess justiça e que não descansará até encontrar o responsável pelo crime.

A história pode parecer familiar pois de fato é baseado numa obra de grande sucesso. La pregunta de sus Ojo é um romance best seller do argentino Eduardo Sacheri que já teve sua versão para o cinema, também de produção argentina, e rendeu ao diretor Juan José Campanella um oscar de melhor filme estrangeiro. A adaptação americana se aproxima da versão argentina, principalmente por um acertado casting. Apesar da Julia Roberts ter destaque no filme, Chiwetel Elijor e Nicole Kidman conseguem elevar ainda mais o nível das atuações. Apresentam o correto timing, uma excelente química em cena e impecável naturalidade.

O filme peca um pouco nos elementos mais técnicos. A fotografia não mostra muito profissionalismo, prejudicando várias vezes os próprios atores. Tendo em mãos tal elenco, o diretor Billy Ray (roteirista de Capitão Phillips e Jogos Vorazes) não os deixa em evidência como deveria. O filme é um drama com uma carga emocional muito forte, e em tais gêneros, consegue-se um resultado mais eficaz focando nas expressões dos atores e os tornando enquadramento principal (vide o filme Álbum de Família). Em  Olhos da Justiça podemos observar isso em isoladas cenas, principalmente as com Júlia Roberts, deixando os outros atores num plano secundário.

Apesar de ser baseado num livro de grande sucesso, o roteiro é algo mal trabalhado e acaba se tornando uma fraca adaptação americana. A linha central se sustenta na investigação do homicídio, enquanto as linhas paralelas mostram a corrupção na corporação da polícia, os demônios que Jess enfrenta após a morte da sua filha e o caso de uma paixão platônica e proibida entre Ray e Claire (Nicole Kidman). A problemática está como o próprio Billy Ray (além de diretor, roteirista) tentou entrelaçar todas as tramas de forma que pudesse se tornar uma só. Acabou que o produto foi uma confusão de acontecimentos que não ficou claro para o espectador como poderia ter influência na linha principal.

Em poucas palavras, o filme conta com um grande elenco e pouco recursos para aproveitar o cacife de tais atores. Ser mais original com o roteiro poderia ter dado um vigor maior a trama e aproveitado mais dos atores. Fica a lição para alguém que já conseguiu um trabalho brilhante em Capitão Phillips. Nem sempre reescrever algo de sucesso é a escolha mais acertada, embora seja a mais fácil.

Por: Wilson Netto

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