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Crítica: A Grande Aposta

Brad Pitt, Ryan Gosling, Christian Bale e Stevie Carrel em A Grande Aposta (Distribuição/Paramount)

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A Grande Aposta é mais um filme que retrata a realidade dos altos e baixos de Wall Street. Mais especificamente o longa retrata a crise econômica sofrida pelo estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos em 2007 no qual desencadeou uma série de efeitos colaterais pelo mundo, como a falência da Grécia, e seria crise na Espanha, Portugal e Itália (os eventos não estão diretamente relacionados, mas num mundo completamente globalizados existe o tão famoso efeito borboleta).

O filme que é baseado no livro de mesmo nome (por Michael Lewis, autor de outro livro que já teve também sua adaptação para o cinema com Brad Pitt e Jonan Hill: Moneyball – Jogada de Risco) conta a história do excêntrico Michael Burry (Christian Bale), que gerencia um fundo de aplicação e ações. M. Burry após avaliar cuidadosamente os números referente às hipotecas dos imóveis americanos, conseguiu prever um iminente colapso imobiliário.

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O mais interesse ao observar o comportamento do M. Burry é a quebra de estereótipos do que seria um grande investidor do Wall Street: ternos caros, uma importante vida social e muita extravagância com direito a festas e strippers. Com um simples chinelo, camisa sempre folgada e uma simples vida com sua mulher (lembrando muitas vezes as características de algum milionário do Vale do Silício), ele foi contra todos ao mostrar que o mais sólido mercado, o imobiliário, entraria em profunda crise em breve. E só por conta dos cálculos e previsão do M. Burry foi que outros conseguiram também se antecipar e tirar algum proveito (digamos milhões de doláres). Estão nessa lista Jared Vennet (Ryan Gosling), Mark Baum (Steve Carrel), Charlie Geller (John Magaro) e Jamie Shipley (Finn Wittrock).

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A edição do filme tenta o tornar descolado, e de fato consegue. A principal exemplificação está ao mostrar Margot Robbie numa banheira para explicar termos do meio financeiro que passamos o filme todo sem entender (propositalmente colocado pelo diretor para corroborar sua autenticidade e veracidade, ou pelo menos passar tal imagem). Tal cena é sexista? Com certeza, mas não tira o mérito de descontração dado ao filme pois ser propositalmente sexista é uma forma de criticar o esteriótipo do que vem a ser descolado. Outro acerto da edição foi colocar diversas imagens, nem sempre co-relacionadas de forma direta, fazendo referências a fatos reais relevantes à época.

Não só por ser o personagem principal, mas Christian Bale merece o maior destaque dentre seus colegas de elenco. Bale sempre surpreende com a versatilidades de seus personagens que sempre são impecavelmente interpretados (grande exemplo é sua atuação em Batman e American Hustle). Stevie Carrel também teve grande contribuição para elevar o padrão do filme. Carrel que tem suas raízes na comédia já vem a algum tempo atuando em filmes de drama (como sua elogiada participação em Foxcatcher).

O ponto principal do filme é a reflexão que leva o público a ter. Os personagens no filme se tornam milionários por apostar numa crise que seria muito improvável de acontecer, e são vistos como gênios ou até heróis. Entretanto, como o próprio Ben Rickert (Brad Pitt) esclarece, eles estão apostando que milhões de famílias irão ficar sem casa, sem emprego e sem esperança de um futuro melhor. A crise financeira que afeta diretamente os bancos e Wall Street como um todo (sendo um possível enfraquecimento do capitalismo) acaba por ter influências mais drásticas nas classes inferiores e só faz reafirmar o poder de controle daqueles que estão no topo da pirâmide. Os ‘hérois’ que apostaram contra o sistema, só foram mais uma peça usada de uma outra forma pelo próprio sistema.

O filme mostra propriedade no assunto que apresenta, conta com um competente elenco e uma responsável equipe técnica. Resultado: reconhecimento do público e da crítica. Com a lista de indicados ao Oscar prestes a sair, A Grande Aposta provavelmente conseguirá várias indicações. Roteiro Adaptado, Edição, Ator e Ator Coadjuvante são algumas delas. Um filme milimetricamente pensado para agradar ao público e aos votantes da academia: é leve, atual, bem articulado e com a certa dose de humor. Créditos merecido ao diretor Adam McKay.

Por: Wilson Netto 

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