Crítica: Creed – Nascido para Lutar

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Creed: Nascido para Lutar marca o retorno da franquia Rocky aos cinemas, dessa vez co-estrelado (e co-produzido) por aquele que deu seu rosto, Sylvester Stallone, que reprisa o papel do lutador de boxe Balboa, agora um homem aposentado, que administra um pequeno restaurante italiano na Pensilvânia.

Nesse novo episódio, dirigido por Ryan Coogler, seguimos a trajetória de Adonis Johnson, vivido pelo talentoso Michael B. Jordan, que carrega o peso de ser filho do lendário Apollo Creed, nos filmes de Rocky interpretado pelo ator Carl Weathers. Donnie passara vários anos em orfanatos até ser adotado pela esposa do já falecido Apollo, e desde sempre escondia a vontade de seguir os passos do pai, mesmo que tivesse progredindo na carreira corporativa. Creed tem início quando Donnie larga tudo e parte para a Filadelfia atrás desse sonho. É aí que os caminhos de Donnie e Balboa se cruzam, quando o primeiro pede que o lendário Rocky Balboa e amigo do seu pai, o treine para alcançar esse objetivo.

Donnie representa o herói típico de um filme de esporte, talentoso embora inexperiente, que começa a crescer a partir do momento que encontra um mestre, que outrora já fora grande e hoje não muito. Embora haja toda essa caraterística há muito usada, uma das qualidades da obra é trabalhar esses dois personagens de maneiras interessantes, mesmo que um seja o protagonista e o outro um personagem já conhecido pelo público há anos.

O jovem Adonis Johnson é determinado, vai à luta – me perdoem o trocadilho – para conseguir o que quer, mas não é muito feliz com o seu temperamento, que se lhe dá alguma vantagem no ringue, na vida acaba atrapalhando. Ele tem nos personagens da mãe, da namorada (também uma ótima personagem), e vejam só, no de Balboa, ótimos freios para seu mau gênio.

Já seu mestre é um homem cansado, que sofre as consequências do tempo. Um homem de uma geração completamente diferente da de seu pupilo, mas que compreende os anseios e projeções de Adonis. Não é fácil envelhecer, principalmente quando se é um campeão de boxe, que tinha a fama e o sucesso conquistados devido a atributos físicos. Stallone demonstra tudo isso muito bem numa atuação bonita e verdadeira, com a fala mansa, a dicção de quem parece que já levou muito soco num ringue, e ainda assim um ar e humor jovial.

É tocando em questões como o papel que exercemos na vida, identidade e tempo, que Creed segue estudando seus personagens e os colocando em conflitos com eles mesmos. Se sustenta perfeitamente, ainda que reverencie por vezes os filmes de sucesso de Rocky. Seu drama segue à risca a cartilha clássica, mas não deixa de ter força e personalidade, tal qual seus protagonistas.

Por: Evandro Lira

 

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