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Crítica: Irmãs

Tina Fey e Amy Poehler estrelam a comédia "Irmãs" (Reprodução/Universal Pictures)
Tina Fey e Amy Poehler estrelam a comédia “Irmãs” (Reprodução/Universal Pictures)

Tina Fey e Amy Poehler conquistaram o público americano. A dupla feminina do humor se destacou em suas participações no Saturday Night Live (SNL) e atualmente são bastante conhecidas pela ótima condução das cerimônias do Globo de Ouro. Tina Fey tem ainda uma extensa lista de sucessos na TV que vai desde “30 Rock” ao seu mais recente trabalho, a comédia “Unbreakable Kimmy Schmidt” na Netflix.

Em “Irmãs”, Tina Fey e Amy Poehler trazem para as telonas todo o talento que justifica suas carreiras brilhantes no humor. Nos papéis principais, apresentam uma boa afinidade e dão voz as tiradas sensacionais e bem marcadas por diversos punchlines vindos do roteiro de Paula Pell, com quem as duas trabalharam juntas no SNL.

No longa, as atrizes principais são irmãs bem diferentes, mas que se dão muito bem – Kate Ellis (Tina Fey) aproveitou bastante a vida quando jovem, e mesmo agora que está mais velha e com uma filha, não consegue ser responsável para cumprir com suas obrigações; já Maura Ellis (Amy Poehler) sempre foi certinha, a ponto de registrar em seu diário todas as coisas enfadonhas que fazia ou pensava na adolescência até se tornar uma enfermeira.

Elas descobrem que seus pais querem vender a casa onde elas cresceram e quando percebem que todas as tentativas para que eles desistam não os convencem, elas acabam aceitando o destino e promovem uma festa como os amigos dos tempos de juventude para aproveitar o último dia em posse da casa. Enquanto o filme começa lento e apresenta com calma a relação das irmãs e a trama do filme, ele atinge seu ápice na festa, garantindo risadas a cada cena onde somos presenteados desde momentos constrangedores de amigos que fazem coisas idiotas a planos que deram totalmente errados.

Vale destacar também o quanto os papéis coadjuvantes dão força ao time estelar – Maya Rudolph traz todo seu talento das séries cômicas da TV para a “vilã” Brinda, que inveja as irmãs mas faz de tudo para penetrar na festa; Greta Lee, como a asiática manicure e animadora de festa Hae-Won, cujo nome rende um dos melhores takes do longa; John Cena, astro do WWE que aparece como um vendedor de drogas e revela-se um possível affair para Kate e Ike Barinholtz, que chega com um James tímido e se mantém assim por todo o filme, garantindo momentos fofos ao lado de Maura (e constrangedores também).

É interessante ver em “Irmãs” a inversão de papéis no que se diz a filmes de comédia com festas em casa – enquanto a maioria dos filmes trazem jovens promovendo a bagunça e adultos ou idosos acabando com a festa, aqui acontece o contrário, quando Kate e Maura são as promoters e a filha de Kate, a Haley (Madison Davenport) é quem aciona o alarme final. Não bastasse nessa quebra de valores na comédia Hollywoodiana, temos também em destaque o protagonismo feminismo, onde as irmãs e as convidadas aproveitam a vida ao mesmo tempo que choram suas dores, expõem suas angústias e tentam de alguma forma superá-las.

Embora o roteiro não traga nada muito fora do comum, Paula Pell conseguiu fazer um ótimo trabalho associado a produção que ficou à cargo de Fey e Poehler. Cheio de improvisos que dão o tom das piadas mais cômicas e que podem ser vistas nos erros de gravações no final do filme, “Irmãs” mostra que é possível construir uma boa comédia sem muita apelação a baixaria ou à exposição pejorativa de classes mais baixas, como é frequente no cinema de humor brasileiro.

Por: Paulo Cavalcante

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

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