Crítica: A Garota Dinamarquesa

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Eddie Redmayne fazendo um brilhante trabalho em A Garota Dinamarquesa (Distribuiçã/Universal Pictures)

Sendo um dos filmes mais aguardados do ano, A Garota Dinamarquesa mostra porque de fato mereceu tanta expectativa. O filme aborda o tema da transexualidade de forma delicada e sutil sem muitos personagens caricatos e estereótipos. Apesar de tal prudência, muitos comentários negativos sobre o filme foram surgindo, a maioria deles devido a infidelidade do longa com a realidade. O filme foi baseado no livro de mesmo título e não diferentemente do filme o livro também foi acusado de contar mentiras.

O filme conta a história de Lili Elbe (Eddie Redmayne), antes conhecido por ser o pintor famoso Einar Wegener, ao longo da descoberta de sua sexualidade. Lili, que foi casada com Gerda Weneger (Alicia Vikander) na condição de Einar, sempre teve interesse no universo feminino, pois acreditava que era algo que lhe pertencia e a foi tirada pela condição de ter nascido no corpo de um homem. Lili teve um longo caminho até conseguir reconhecimento e ter coragem suficiente para proceder a remoção dos órgãos sexuais masculinos e posteriormente implante do órgão feminino. Tal atitude abriu caminho não só para que o assunto pudesse ser discutido de forma mais ampla e séria, época em que a transexualidade era tratada como esquizofrenia, como também para tornar possível o aperfeiçoamento da cirurgia de mudança de sexo.

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As atuações são um trunfo a parte do filme. O núcleo principal formado por Eddie, Alicia e Matthias Schoenaerts (Hans Axgil) mostram uma química incrível e competência tal que justifica a indicação de Eddie e Alicia ao Oscar (com fortes chances de levar). Os tipos de personagens do filme A Garota Dinamarquesa seguem a mesma linha do filme, também interpretado pelo Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo. Em ambos, temos o protagonista com uma problemática, sua mulher que se mostra forte o suficiente para o apoiar em momentos decisivos e um segundo homem, possíveis amantes, que tenta dividir o peso da situação com a mulher. Eddie leva com maestria ambos os filmes. O olhar, o toque, os trejeitos, mostram o trabalho de um bom ator e de quem tem competência naquilo que faz. Poderia gastar um parágrafo falando da Alicia, mas afirmar que ela será a vencedora do Oscar já é o suficiente.

A trilha sonora é algo esplendido que aumenta exponencialmente a carga dramática do filme, o que não poderia se esperar diferente sabendo que a direção é do Tom Hopper. Quando se trata de trilha sonora e drama, Tom Hopper sabe o que faz. Os Miseráveis e O Discurso do Rei são exemplos da experiência do diretor. Também deve crédito ao responsável de fato pela trilha sonora, Alexander Desplat, que já fez trilhas para O jogo da Imitação, A hora mais escura, Argo, O grande Hotel Budapeste, entre outros.

Com competência técnica e abordando um assunto tão delicado, A Garota Dinamarquesa traz o tema da transexualidade de uma forma discreta, conservadora demais para alguns, mas inegavelmente eficiente e clara, deixando de apresentar apenas personagens irreais criados para o mundo imaginário de Hollywood. Temas como esse precisam ser discutidos com seriedade e trazê-los para o entretenimento é uma forma de estimular tal discussão, considerando ainda mais o crescimento e reconhecimento que a comunidade trans vem conquistando a cada dia. Chamar pelo nome social, inclusão em universidades e postos de trabalhos, cirurgias de mudança de sexo gratuitas, são algumas dessas conquistas que não seriam possíveis se a Lili Elbe não tivesse erguido o peito e dito: “Não, eu não sou esquizofrênico, eu sou transexual”.

Por: Wilson Netto

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