Crítica: Deadpool

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Evandro Lira
Evandro Lira
Estudante de Cinema e Audiovisual, escreve para o Café de Ideias com a desculpa de falar de uma das coisas que mais gosta, o cinema.

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O primeiro filme de super-herói de 2016 não é bem um filme de super-herói, e isso é o que o próprio filme diz de si mesmo. Sim, Deadpool fala com o público, mistura universos, brinca com seus realizadores, tem cenas de sexo, palavrões e tudo mais que você não pode imaginar.

O personagem é mais conhecido pelos leitores da Marvel, embora sua primeira aparição no cinema tenha sido em 2009, no famigerado X-Men Origens: Wolverine (2010). Interpretado pelo mesmo ator que estrela o novo filme, Ryan Reynolds, numa tentativa forçada da Fox de nos fazer acreditar que eles possuem um controle sobre a linha temporal e o universo dos seus filmes de heróis.

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Aqui, já de início, nos deparamos com Deadpool a caminho de sua missão, que não, não é salvar o mundo ou algo do tipo, e sim, acabar com o homem que lhe torturou, desfigurou seu corpo e lhe deu poderes mutantes quando ele ainda era apenas o mercenário Wade Wilson. E como é de se esperar, Deadpool não tem um carro turbinado ou uma armadura de milhões de dólares, ele é gente como a gente, e vai de táxi até o grande confronto.

Algo que o personagem já fazia nos quadrinhos, foi trazido para o filme: a quebra da quarta parede, que funciona muito bem, pois, além de exaltar o humor ácido de Pool, ajuda a desenrolar a trama de maneira fácil. Ela vai e volta, nos fazendo entender o que aconteceu com Deadpool até ele chegar ao ponto em que o conhecemos.

Ryan Reynolds tem pela primeira vez espaço para brilhar em um filme de super-herói. Tendo participado de dois fracassos de crítica, um deles, considerado um dos piores filmes do sub-gênero, Lanterna Verde (2011), onde Reynolds vive o protagonista herói da DC. Em Deadpool, é notável sua dedicação, não só como o cara de uniforme vermelho, mas também como um dos caras por trás do filme, assinando a produção. Nem ele escapa das piadas que tomam conta das quase duas horas.

É difícil resumir o longa de outra maneira que não: zoeira. A comédia escrachada começa desde os créditos iniciais até a cena pós-créditos, sem exagero. É um filme que não se leva a sério, e é nesse aspecto que ele sai ganhando, já que o seu roteiro parece ter ficado totalmente em segundo (ou quem sabe em décimo) plano.

Ninguém escapa da língua afiada de Pool, nem das referências visuais acertadas pelo estreante Tim Miller. Nem os artistas por trás do filme, nem os estúdios, nem os X-Men, nem mesmo Liam Neeson. O humor é sem dúvida o forte de Deadpool, se aproximando a um humor parecido com o que estamos acostumados a ver na internet. As melhores piadas ficam mais por conta das que reverenciam a cultura pop, e menos das que usam algum elemento sexual ou violento.

Enquanto isso, o filme decepciona bastante em seu roteiro. Ok que ele pretende ser mais um filme de comédia que qualquer outra coisa, mas ele não precisaria deixar tão evidente sua total desatenção e preguiça. Comédia não é por consequência um roteiro preguiçoso. E em Deadpool, temos algumas cenas e personagens gratuitos, como a primeira aparição do personagem vivido por Ed Skrein, que se sua intenção foi mostrar que o cara era um mutante, não funcionou, já que sua mutação não foi mais citada, apenas mostrada quando o cara sobrevive de forma absurda a um ataque de Deadpool. Até mesmo todo o processo sofrido por Wade, e as intenções do vilão por trás disso, são passadas de qualquer forma para o espectador. Isso tudo porque não vamos falar aqui da grande ideia do personagem de Skrein, que é o clímax do filme: capturar o interesse romântico do herói a fim de atingi-lo.

De qualquer forma, Deadpool é honesto em sua proposta, desde o início e não deve decepcionar os fãs do ousado super-herói e nem mesmo aos conhecedores da cultura pop em geral, que agarrarão todos os absurdos e referências ditas pelo personagem.

Por: Evandro Lira

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