Crítica: O Quarto de Jack

Jacob Tremblay e Brie Larson em O Quarto de Jack (Distribuidora/Universal)

O Quarto de Jack é um filme de surpreendente singularidade e facilmente cativante pela empatia de seus personagens principais, Joy Newsome (Brie Larson) e Jack (Jacob Tremblay). O filme é essencialmente uma história de crime e rancor, mas como a própria Brie Larson falou, ela preferiu enxergar como uma história de amor e perseverança. O filme é baseado no livro de mesmo título escrito por Emma Donoghue, que também ajudou no roteiro do longa, e foi de grande sucesso. A força do roteiro mostra como um filme de relativo baixo orçamento, 6 milhões de dólares, consegue arrecadar o dobro.

O drama conta a história de Joy, uma jovem que foi sequestrada quando tinha 17 e é mantida em cativeiro por 7 anos, e durante esse período Joy ficou grávida e deu à luz ao que veio se tornar seu porto seguro. Jack é uma criança sonhadora que adora morar no Quarto, como ele chama o lugar em que são mantidos reféns. A adaptação de Jack ao lugar é devido à perspicácia de mãe, que para não o assustar, aproveita da ingenuidade e criatividade do garoto e faz do Quarto um lugar suportável de se viver.

Para Jack o Quarto é seu mundo e tudo que não faz parte dele é algo fictício, assim como todos os filmes, animais e sensações que ele só tem contato pela televisão. É interessante observar o “conformismo” do Jack com a situação em que vive. Diferente da mãe, Jack nunca teve contato com o mundo exterior, o que torna difícil para o garoto comparar experiências com os objetos que o rodeiam. Para ele, tudo o que está em sua volta é o melhor que pode ter: melhor carrinho, melhor rato, melhor cama, e assim por diante, pois é o que está ao seu alcance.

Brie Larson faz um trabalho excepcional. A metade do filme é rodado dentro de um quarto onde seu único parceiro de cena é uma criança de 9 anos e Brie sabe usar cada elemento tanto do Quarto quanto da personalidade do Jack. Mais uma vez temos uma possível ganhadora do Oscar considerando já todos os prêmios concedidos a atriz, e tal atuação merece todo o reconhecimento que vem recebendo. Jacob Tremblay surpreende com sua pouca idade e tamanha carga emocional que consegue transmitir ao decorrer do filme. Em algumas cenas é possível notar que o Jacob recebeu uma ajuda extra (posicionamento da câmera, lágrimas irreais), mas não há como pedir a um garoto de 9 anos que represente alguém que passa por uma tragédia que nem um adulto saberia como reagir.

O filme contém diálogos memoráveis e tais diálogos discutem algo de considerável delicadeza: como é viver em cárcere privado por tanto tempo e toda a carga traumática que isso traz, onde nem sempre as pessoas notam ser a pior parte em tal circunstância. O Quarto de Jack levanta o seguinte tópico: cada indivíduo tem uma reação diferente em momentos difíceis e é isso que o torna um indivíduo, portanto não existe uma atitude certa ou errada para lidar com o fato de estar sendo feito refém. Joy se mostrou uma mulher de garra e muito mais humana do que alguns podem julgar.

 Por: Wilson Netto

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