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Crítica: Orgulho e Preconceito e Zumbis

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Qualquer razão para revisitar a obra de Jane Austen é válida, mesmo que precisemos lidar com alguns mortos-vivos, como é o caso desse Orgulho e Preconceito e Zumbis. O filme é a adaptação do livro de mesmo nome, de 2009, que por sua vez é uma adaptação do consagrado romance Orgulho e Preconceito, publicado em 1813.

A Europa foi tomada por uma peste zumbi, e a preocupação dos pais não era mais com quem os filhos iriam casar ou que propriedades eles herdariam, aqui os jovens são treinados desde cedo em combate, aprendendo as artes marciais orientais. No entanto, essa regra não se encaixa totalmente com as irmãs Bennets, já que o pai se preocupa com o treinamento, e a mãe fica encarregada de achar os pretendentes.

Para quem conhece a obra de Austen vai perceber que diversos diálogos são mantidos quase que idênticos ao do clássico, assim como o filme Orgulho e Preconceito de 2005. Na verdade, todo o cerne principal da trama segue fiel ao livro que originou tudo: o desenrolar da relação conflituosa de Elizabeth Bennet (Lily James) e Mr. Darcy (Sam Riley).

Vivida com vigor por Lily James, nessa versão, Elizabeth é uma guerreira, que por baixo de seu vestido, esconde armas mortais prontas para serem usadas a qualquer momento. Darcy é o mesmo antipático de sempre – até mais – que não perde tempo e acaba com qualquer vestígio de zumbi que possa vir a aparecer. Se já estamos acostumados à hostilidade entre ambos, imagina nesse universo onde há lutas, espadas e pistolas!

A direção fica por conta de Burr Steers, que também se encarrega do roteiro. Os acertos e erros aqui então recaem quase que totalmente para ele. Com a ajuda do elenco, Steers conseguiu dimensionar as personalidades já conhecida dos personagens principais, o que infelizmente resultou, juntamente com o acréscimo do plot dos zumbis, nos personagens secundários não conseguindo ficar bem estabelecidos.

Algumas escolhas, como narrar o contexto da peste no país, logo nos créditos iniciais, com o uso de animações que simulam livros de pop-up funcionam muito bem, já o combo câmera subjetiva e tela preta usado sempre que acontece um ataque dos zumbis torna-se chato e a repetição amadora.

Ainda que a história de Orgulho e Preconceito tenha um “quê” de ironia – e continua – a ideia de uma Inglaterra vitoriana tomada por zumbis e homens e mulheres armadas certamente acentua isso, e Orgulho e Preconceito e Zumbis tem momentos muito divertidos graças a esse adicional inusitado. A cena clássica em que Darcy resolve revelar, da maneira Darcy de ser, seus sentimentos por Elizabeth pode ser considerada a melhor nesse aspecto.

É curioso perceber que enquanto o uso da trama dos zumbis tenha tirado o espaço de alguns personagens, o desejo de contar da forma mais fiel possível o romance de Lizzy e Darcy acabou tornando apressado o plot dos zumbis, que é deixado quase que todo para o final. O clímax deixa o espectador confuso, a montagem do filme desconcentra e faz esquecer, confundir ou sequer entender para onde os personagens estão indo ou o quê eles estão fazendo.

Mesmo assim, Orgulho e Preconceito e Zumbis é eficiente em recriar o universo de Jane Austen e ainda divertir transformando seus personagens inesquecíveis em heróis, em seu sentido completo.

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Evandro Lira
Evandro Lira
Estudante de Cinema e Audiovisual, escreve para o Café de Ideias com a desculpa de falar de uma das coisas que mais gosta, o cinema.

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