Crítica: A Bruxa

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Elenco em A Bruxa (Distribuição/Universal)

 

O festival Sundance sempre foi e vem se mostrando cada vez mais uma vitrine de filmes de qualidade.  A Bruxa foi aclamado pela crítica e levou o prêmio no festival de Melhor Diretor em 2015. O filme já pode ser considerado um clássico moderno e contém vários elementos de um terror Noir, algo que não é tão comum nos filmes de terror atuais, pois em sua maioria se tende a produzir algo mais comercial. A Bruxa mostra competência técnica e uma incrível junção de elementos que levam ao mais puro terror, sempre buscando trabalhar com o artifício que mais provoca o medo: a imaginação.

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O filme conta a história de uma família de religiosos puritanos que se mudam da vila onde moravam por terem sido acusados de cometer pecados irredimíveis. Em sua nova casa, essa família vê sua fé abalada quando o pequeno Samuel some misteriosamente e leva ao desencadeamento de estranhos acontecimentos.  Brigas de casal, uma filha indesejada, a situação de pauperismo e uma ovelha negra (o animal de fato) fazem tudo ficar dramaticamente mais complexo e prolixo. De fato, prolixidade é algo muito recorrente no filme, levando uma grande parcela do público achar o longa enfadonho.  Entretanto, o ritmo do filme é propositalmente suavizado com a finalidade de trabalhar exaustivamente cada ambiente e item mostrado.

Robert Eggers é responsável pela direção e roteiro do filme e deve levar grande parte do crédito pelo belo trabalho final. Não é possível destacar algum aspecto do filme sem associá-lo intrinsicamente a outro. A estética do filme é exaltada pela edição e o corte preciso em cada cena, que por sua vez faz jus à trilha sonora, onde também faz aumentar a intensidade das atuações, onde por fim, tudo foi interligado pelo eficiente Robert Eggers. É mais fácil compreender tamanha competência do Eggers em fazer um filme ímpar em qualidade técnica, ao saber que o mesmo é formado em direção de Arte, levando-nos a concluir que fazer um filme de arte não seria uma tarefa tão difícil para ele, pelo menos ele não mostrou ser.

É muito curioso que após o declínio de Hugh Jackman para o papel principal (por motivos de incompatibilidade na agenda), o diretor optou por escolher um elenco completamente desconhecido, se tornando mais uma escolha acertada para filme. Um elenco pouco conhecido eleva ainda mais o caráter cult e noir, ainda mais quando todo o elenco (desde núcleo adulto até o núcleo infantil) mostram química e profissionalismo para conduzir um drama tão peculiar como o apresentando.

The Which: A New England Folktale” (algo como “A Bruxa: um conto de New England) dá uma boa dica do que podemos esperar do filme e ele cumpre o que prometeu: um filme que é nada mais que um conto popular. Fazer de um conto popular um memorável filme de terror é o que torna A Bruxa tão bem recebido pela crítica. Cenário e figurino de época, utilização de expressões que retomam o ‘antigo’ inglês, associado a um roteiro que retrata uma família simples no qual tem a religião como força motora são todas as características de um clássico conto inglês. Depois de um terror bizarro e incomum, ao fim do filme, nos fazemos a seguinte pergunta: não quem, mas o que é A Bruxa?

Por: Wilson Netto

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2 COMENTÁRIOS

    • Pode-se observar uma atmosfera muito parecida com os livros do Edgar Allan Poe. Então seria um bom lugar para começar

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