- Publicidade -

Crítica: Boa Noite, Mamãe

Mãe volta estranha de cirurgia plástica e relação com os filhos fica estranha em "Boa Noite Mamãe" (Divulgação/Playart Pictures)
Mãe volta diferente de cirurgia plástica e relação com os filhos fica estranha em “Boa Noite Mamãe” (Reprodução/Playart Pictures)

- PUBLICIDADE -

Quando divulgado, o trailer de “Boa Noite, Mamãe” ganhou destaque nas redes sociais, onde bastante se comentou sobre a expectativa por um terror livre dos estereótipos dos blockbusters do gênero que tem sido lançados ultimamente. Deixa-se de lado as criaturas sobrenaturais e foca-se na relação entre irmãos gêmeos e a mãe que acabara de voltar de um procedimento de cirurgia plástica. Os garotos de nove ou dez anos despertam uma curiosidade peculiar ao desconfiar que aquela mulher que retorna cheia de bandagens cobrindo a cara talvez não seja sua mãe.

Se no trailer de Boa Noite, Mamãe somos apresentados a uma edição a ritmo Hollywoodiano, os cortes rápidos são deixados de lado no filme assim como a tensão criada pela trilha sonora dos filmes de terror. A trama se desenvolve lentamente, talvez até num ritmo capaz de provocar sonolência nos mais desavisados que procuravam um horror comercial nas telonas, mas de forma que se faz necessária para desenvolver a ambientação e a relação entre as personagens.

- Advertisement -

O filme inicia sob a visão dos irmãos gêmeos, principalmente diante da percepção de Elias, que conduz o espectador ao seu mundo perturbado pelo retorno daquela mulher sombria com o rosto coberto e de comportamento agressivo, que tem as desconfianças sobre sua identidade alçadas por situações estranhas como a negativa em dirigir a palavra a seu outro irmão, Lukas, a incapacidade de adivinhar uma descrição de si mesma numa brincadeira com os filhos ou não saber a música preferida também do Lukas. Das desconfianças à constatação, os garotos iniciam uma torturante e incessante busca pelo paradeiro da sua mãe, até que sejamos levados ao clímax de Boa Noite, Mamãe – uma reviravolta que troca os antagonistas e nos faz perceber os verdadeiros vilões.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

É já no final do filme que Severin Fiala e Veronika Franz nos fazem entender a situação que transforma Boa Noite, Mamãe num autêntico terror psicológico numa vibe que remete ao filme “Os Outros” (“The Others”, 2001) mas usando como pilar de sustentação a capacidade de perturbar a consciência diante da violência e do sadismo causado pela incerteza e pela perturbação espiritual.

Com atuações medonhas dos garotos Lukas Schwarz e Elias Schwarz e das perturbadoras cenas desenvolvidas pela atriz Susanne Wuest, “Boa Noite, Mamãe” – que foi a indicação da Áustria ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2016 – se desenvolve para um final que remete ao início dando fim as buscas pela mãe num desfecho trágico e agoniante, mas certeiro ao cumprir com o objetivo das personagens mirins.

Por: Paulo Cavalcante

- PUBLICIDADE -
Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.
Leia mais em:

Conteúdo relacionado:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here