Crítica: Ave, César!

 

Josh Brolin em Ave, César! (Distribuidora/Universal Pictures)

Ave, César! é uma produção dos irmãos Cohen e só essa frase poderia resumir toda a crítica, pois os seus filmes são sempre bem produzidos e bem escritos, mas sempre com a mesma sensação de que o filme parece um sonho onde nada faz muito sentido. Assim foi com Onde os Fracos não tem Vez, Um Homem Sério e Inside Llewyn Davis, e se repetiu em Ave, César!.

O longa conta a história de uma grande produtora de filmes, a Capital Pictures, no tempo em que a indústria cinematográfica passava por grandes mudanças e começava a ter traços do formato atual. Eddie Mannix (Josh Brolin) é o principal mentor e entusiasta da Capital tendo que lhe dar não só com os filmes produzidos, assim como os astros que aparecem neles. E estrelas não faltaram: Baird Whitlock (George Clooney), Robbie Doyle (Alden Ehrenreich), Laurence Laurentz (Ralph Fiennes), DeeAnna Moran (Scarlett Johansson), Burt Gurney (Channing Tatum) e Thora Thacker and Thessaly Thacker (Tilda Swinton). O motivo de um impressionante elenco foi dar credibilidade e mostrar o quão poderosa é a Capital Pictures.

Embora tenha um competente elenco, o roteiro/direção não aproveitou tal trunfo de forma eficaz. Várias cenas são cortadas sem nenhum motivo ou razão aparente. Fica subentendido a intenção do diretor em mostrar o filme em forma de sketches, mas ficou um artificio que não acrescentou ao escopo do filme. O ator de maior destaque no filme é o Ralph Fiennes, embora tenha uma participação pequena no filme, enquanto que o George Clooney usa a mesma fórmula de sempre: galã, boa pinta, algumas cenas dramáticas e boa dose de carisma, ou seja, nada que o faça sair da zona de conforto.

Um ponto sempre perfeitamente cobrado e impecavelmente colocado em todos os filmes dos Cohen é a direção de arte e figurino, majoritariamente assinado por Mary Zophres (Interestelar). Na retratação de uma época diferente, o conjunto direção de arte/figurino é o objeto de maior preocupação e fontes de erro, pois cada detalhe deve ser levado em conta, e Mary Zophres acerta precisamente.

A marca dos irmãos Cohen é fazer filme que sejam sátiras de algo comum, tornando-o caricato ou até mesmo bizarro. Em Ave, César! eles erraram a dosagem e ao invés de tornar a situação ou o personagem caricato, todo o filme se tornou caricato. A falta de empatia com os personagens e com a própria narrativa do filme faz com que na metade do filme se perca o interesse com o que ainda estar por se desenvolver. Mais um exemplo onde o ditado “Menos é mais” pode ser perfeitamente colocado.

Por: Wilson Netto

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui