Crítica: Invasão à Londres

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Com o passar dos anos fica cada vez mais difícil engolir filmes como Invasão a Londres. Ele sucede o Invasão à Casa Branca, lançado em 2013, e repete a mesma fórmula, que por sua vez já não era muito original.

Mas aqui não é Washington, D.C que sofre um atentado, e sim a capital inglesa, que é vítima de um verdadeiro massacre cujo objetivo é matar o presidente dos Estados Unidos, que está lá, reunido com diversos outros líderes mundiais para o funeral do primeiro-ministro que morreu misteriosamente. Ninguém escapa, nem os líderes, nem seus empregados, nem seus agentes, nem os civis, nem mesmo os grandiosos pontos turísticos da cidade, a sequência é uma espetacularização absurda do caos. Eu falei que ninguém escapava? Ninguém exceto o presidente dos Estados Unidos, é claro. E isso graças aos esforços do seu agente, Mike Banning, que consegue deter um número incalculável de terroristas e fugir pela cidade com o homem em seu encalço.

Pouca coisa convence no filme, os efeitos visuais que destroem Londres não é uma delas. As explosões, principalmente quando vistas em plano aberto, parecem feitas para videogames do início da década passada. A grandiosidade daquele ataque é o tipo de coisa que, felizmente, só a ficção pode nos proporcionar. Nem mesmo as cenas de ação, que se espera ser o ponto forte do filme, são muito criativas, embora sejam bem coreografadas e fotografadas.

Os atores são o que Invasão a Londres tem de melhor, desde os protagonistas Gerard Butler e Aaron Eckhart, que dão graça a relação presidente-agente conquistada desde o filme anterior, até Angela Bassett e Charlotte Riley, com participações menores. Mas não tão menores como a de Morgan Freeman, que mais uma vez empresta seu carisma para um personagem coadjuvante.

Os responsáveis pelos péssimos diálogos é um time grande: Creighton Rothenberger, Katrin Benedikt, Christian Gudegast e Chad St. John. São eles autores de pérolas como “Achei que você nunca fosse sair do armário”, ditas por Banning depois que o presidente, escondido num… armário, sai na hora certa para atirar num bandido.

Antes o problema desses caras fosse só escrever diálogos ruins. É realmente lastimável que num momento como o que vivemos, onde os esforços para desconstruir diversos preconceitos esteja cada vez mais dando resultado, um filme que tenha pretensões de atingir um público amplo, apresente o velho maniqueísmo “ocidente vs oriente” de forma tão pobre e rasa. Os vilões do filme são obviamente muçulmanos com discursos manjados de “vocês nos fazem mal, nós damos o troco”, que só ajuda a fortalecer a xenofobia contra os povos árabes, que agora mais do que nunca, sofrem dentro dos Estados Unidos com a possibilidade de vitória de um homem como Donald Trump nas eleições presidenciais. E pasmem, o diretor é o iraniano Babak Najafi.

Problemático do começo ao fim, o único sentimento que fica ao final é o de constrangimento. Invasão a Londres entra para aquela lista cada vez maior de filmes que não precisariam existir.

 

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