Crítica: Jason Bourne

Apesar de Matt Damon ter pouquíssimas falas no filme, algo em torno de 27 linhas, ele é inegavelmente a estrela no filme.

 

Matt Damon interpretando seu icônico personagem Jason Bourne (Distribuidora/Universal Pictures)

Depois de uma longa pausa longe dos holofotes como Jason Bourne, Matt Damon faz seu retorno em Jason Bourne (muito cuidado para não confundir o personagem com o nome do filme) e mostra porque amadurecimento é diferente de envelhecimento. Apesar de ter ganho mais cabelos brancos, Damon continua a interpretar um Bourne ágil e perspicaz como vem sendo desde o primeiro filme.  Passados 14 anos desde A Identidade Bourne em 2002, não só presenciamos o amadurecimento do personagem, mas de toda a construção da narrativa e dos elementos presentes no filme. O novo longa tem motivos para mostrar que filme de ação ainda não é um clichê ultrapassado.

É possível observar que o filme é divido em duas partes. A primeira, onde não apresenta elementos surpresas, se utiliza de flashbacks e mantém um ritmo superficial e lento no qual Bourne quer desvendar o seu passado. Nessa primeira parte o longa utiliza de vários ganchos com os filmes anteriores citando os projetos secretos, inclusive o que fiz de David Webb se tornar Jason Bourne (Operação Treadstone). Já na segunda parte, o filme se torna mais dinâmico e começa a se encaixar e usar o poder argumentativo com a celeridade dos personagens.  O novo projeto Ironhand faz a dinâmica do filme mudar completamente, fazendo com que Bourne não se preocupe mais com o seu passado e sim com o futuro.

No novo longa notamos que a maioria das cenas de ação são mais consistentes do que apenas meras perseguições e explosões. Todas as cenas são montadas para enaltecer a personalidade de algum personagem. O único ponto de incerteza no filme é a linha tênue que ele percorre entre a maturidade e a falta de poder reinvenção. Em alguns momentos os diálogos parecem ter alguma reflexão futura e em outros apenas conversas vazias para anteceder uma perseguição que se estenderá por um bom tempo. Essa dubiedade empobrece o filme, não a ponto de comprometer sua qualidade no todo mas talvez exista confiança demais que apenas o nome (quase marca) Bourne seja suficiente para manter o padrão de qualidade do filme.

Apesar de Matt Damon ter pouquíssimas falas no filme, algo em torno de 27 linhas, ele é inegavelmente a estrela no filme. Matt consegue colocar muito significado naquilo que fala e sabe aproveitas todos os poucos momentos em que isso acontece. A sua principal frase no filme é “I need to talk” (Eu preciso falar) e isso representa a transição entre a parte 1 e a parte 2, mencionado anteriormente, onde ele entende seu passado e agora quer materializar sua vingança verbalmente e fisicamente. Além de Matt Damon, as atuações dos atores Alicia Vikander e Tommy Lee Jones são igualmente admiráveis. Ambos interpretam personagens de personalidade forte e de singularidade tal que definem o tom do filme, como se Matt Damon fosse o sorvete e eles a calda.

Jason Bourne reúne o que pode ter de mais refinado num filme de ação: bons atores, um roteiro que amarra toda a história em algum ponto, efeitos bem produzidos e uma edição de som digna de ser indicada ao Oscar. A falta de homogeneidade no roteiro talvez seja sinal do esgotamento da franquia Bourne e inviabilizando a possibilidade de uma sequência, embora conversas para isso já existam. O filme apresenta certa dificuldade em superar a barreira da reinvenção, mas ainda assim consegue sair por cima com um resultado satisfatório.

Por: Wilson Netto

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