Crítica: Julieta

Almodóvar traz nesse novo trabalho um lado complexo da maternidade quando a abstinência da filha deixa Julieta frente a frente com a solidão.

Adriana Ugarte em Julieta (Reprodução/ Universal Pictures)
Adriana Ugarte em Julieta (Reprodução/ Universal Pictures)

O longa narrado por Julieta (Emma Suárez/Adriana Ugarte) tem um drama familiar delicado, uma personagem complexa e até certo ponto misteriosa que aos poucos vai apresentando sua história de vida.

A preocupação e o cuidado fazem parte da maternidade, essas características compõe a protagonista da história de Almodóvar. Um encontro repentino faz Julieta ter uma recaída e entrar em uma espiral de lembranças que a faz cair sobre o passado.

Professora apaixonada pelo seu trabalho, Julieta quando jovem acaba conhecendo durante uma viagem dois homens que vão marcar sua vida. Ela se envolve com um deles, dessa relação nasce Antía (Blanca Parés).

Com o passar dos anos Julieta sofre perdas e descobre coisas que abalam sua vida familiar, nesse momento difícil da sua vida ela inverte o papel de mãe e filha com Antía. Dedicada e cuidadosa Antía assiste Julieta e a incentiva para que deixe de lado a depressão. Durante todo esse tempo Julieta não consegue perceber o quanto sua filha também estava mal e se fazia forte pelas duas, quando descobre já é tarde demais e isso faz surgir um lado maníaco, perseguidor e até assustador dessa mãe.

As cores quentes do cenário e das roupas são um contraste em meio as paisagens frias do mar e das montanhas, ambas dialogam com a constante mudança do humor da personagem. Almodóvar acerta a mão não só no enredo, mas também na sua construção. A não-linearidade da história cria um clímax de curiosidade envolvente, onde as revelações de Julieta são bem dosadas.

Por: Lais Rilda

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