Crítica: Águas Rasas

Tentando retomar o subgênero que fez sucesso com "Tubarão" nos anos 70 e hoje virou símbolo trash, Águas Rasas traz Blake Lively como uma surfista em busca da sobrevivência.

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Evandro Lira
Evandro Lira
Estudante de Cinema e Audiovisual, escreve para o Café de Ideias com a desculpa de falar de uma das coisas que mais gosta, o cinema.

Águas Rasas traz Blake Lively na pele de uma surfista que se depara com o ataque de um tubarão (Reprodução/Sony Pictures)
Águas Rasas traz Blake Lively na pele de uma surfista que se depara com o ataque de um tubarão (Reprodução/Sony Pictures)

O suspense Águas Rasas, que integra o subgênero filme de tubarão, chega em meio a produções trash como Sharknado, Ataque do Tubarão Mutante e O Tubarão Fantasma. De toda essa safra, o longa dirigido por Jaume Collet-Serra se destaca por ser não só um filme de tubarão, mas também um drama pessoal e de sobrevivência.

Blake Lively vive aqui Nancy, uma surfista que acaba de perder a mãe e decide visitar uma praia no México que tinha significado especial para elas. O roteiro dá conta de contextualizar a relação de Nancy com a família muito bem, mesmo que seja de forma breve, sendo fundamental para que o espectador conheça a mulher por quem eles vão torcer.

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É assertiva a maneira com que Collet-Serra opta por aproveitar a tecnologia na trama, dinamizando ações que seriam difíceis ou pouco inspiradas se filmadas de maneira tradicional, além de que contribui esteticamente e valoriza a aura moderna que o filme evoca, como se pode ver nas referências – piadinha com Uber – ou no uso da GoPro, uma opção que obviamente a trama pedia. Afinal um filme com um cenário paradisíaco e cenas de surf não poderia ser diferente.

É claro que tem rosto de Blake Lively inserido digitalmente no corpo de dublê, claro que tem muita câmera lenta, e claro que tem música eletrônica de qualidade duvidosa. Escolhas que além de óbvias, não são muito eficientes.

A tensão que o filme provoca não tem dedo da trilha sonora, como boa parte dos filmes de suspense/horror, no clássico Tubarão por exemplo, já que a trilha quando não é imperceptível, incomoda. O mérito fica por conta dos planos de ponto de vista “do monstro”, dos planos na linha da água, e também pela atuação de Blake Lively.

A atriz tem a responsabilidade de estar sozinha em tela durante 90 minutos. Sofrendo, gritando, fazendo careta e tudo o mais que pede uma moça encurralada por um tubarão. O desafio de se fazer um filme com um só personagem num só cenário é imenso, mas já tivemos ótimos exemplos, como Até o Fim e Gravidade, ambos de 2013, e embora Águas Rasas não se compare a eles, o filme cumpre com o seu objetivo sem se estender muito.

A resolução do filme é daquelas meio difícil de engolir, mas nada mais justo para a personagem e para o espectador que passou tanto tempo ali aflito tentando mentalmente criar mil e uma maneiras de ver Nancy livre de tudo isso. Para o bem do nosso sistema nervoso, a gente deixa passar essa.

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