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Crítica: Ben-Hur

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Melhores amigos criados como irmãos seguem caminhos diferentes e se tornam inimigos. O único desejo de um deles é se vingar do outro com as próprias mãos pelo mal que o segundo causou ao primeiro e à sua família. Coloque isso na Jerusalém contemporânea à Cristo, com as investidas do Império Romano e temos Ben-Hur.

O longa é uma adaptação do livro de 1880, escrito por Lew Wallace, que já foi levado à tela grande algumas vezes, sendo a de 1959 uma das mais bem sucedidas produções de Hollywood. Um marco do cinema, dirigido por William Wyler, vencedor de 11 Oscars, épico tanto por sua trama quanto por sua grandiosidade, cheio de ótimos efeitos especiais e uma duração de quase quatro horas. Diante disso, fica difícil para o novo Ben-Hur chegar sem muita resistência.

Seu lançamento vem envolto a uma divulgação não muito arrojada e com nomes sem muito peso na indústria, no que parece uma tentativa da Paramount de chamar a menor atenção possível, talvez para baratear um filme que já não promete muito?

É nestas condições que chega às salas de cinema do Brasil, Ben-Hur, que está longe de ser um desastre, mas que realmente vai ser engolido, não só pelo seu predecessor, mas por qualquer “épico” melhor desenvolvido.

Como já adiantei, o longa dirigido por Timur Bekmambetov, tem seus personagens muito mal trabalhados. Se inicialmente você consegue entender o que motiva os dois personagens principais vividos por Jack Huston e Toby Kebbell, não dá pra dizer o mesmo dos coadjuvantes. A partir do segundo ato tudo começa a correr, o desenvolvimento pessoal de Judah e Messala, os encontros e reencontros de alguns personagens, e os cavalos da cena mais importante do filme. Cena essa que impressiona pela sua condução e qualidade técnica, o que, convenhamos, era o mínimo que se poderia esperar.

O elenco está muito bem, desde os atores principais aos de apoio, que conta com Nazanin Boniadi, Pilou Asbæk, Morgan Freeman e Rodrigo Santoro. Morgan Freeman está aqui fazendo seu habitual papel de Morgan Freeman, porém com um visual um tanto mais incomum. Rodrigo Santoro interpreta Jesus, que não aparece muito, mas que quando surge em tela pode emocionar os mais cristãos.

O maior problema de Ben-Hur é o seu final, que poderia privar o espectador de gargalhadas. Não dá pra discutir muito o que motiva as atitudes de Judah no fim, mas a forma como tudo se resolve é patética, numa cena impossível de ser levada a sério. E quando o espectador ainda está absorvendo a coisa toda, surge uma música pop nos últimos momentos, que não combina nada com o filme. Nem mesmo com o final “infeliz”.

Ben-Hur vem para o mundo como uma atualização de uma obra que já era mais conhecida por sua adaptação cinematográfica do que pelo material original. Funciona como um meio de apresentar a história a novos públicos claro, mas no quesito relevância fica sob as sombras de toda uma Hollywood cheia de bons filmes, de filmes ruins, de filmes que ninguém se lembra, e de remakes de bons filmes que ninguém se lembra.

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Evandro Lira
Evandro Lira
Estudante de Cinema e Audiovisual, escreve para o Café de Ideias com a desculpa de falar de uma das coisas que mais gosta, o cinema.

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