Crítica: Esquadrão Suicida

Com um Coringa que deixou a desejar, Esquadrão Suicida salva-se pelo ritmo ágil e por vilões carismáticos que roubam a cena, como a Arlequina e o Pistoleiro.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

Esquadrão Suicida em ação em missão comandada pela durona Amanda Waller (Reprodução/Warner Bros.)
Esquadrão Suicida entra em ação na missão comandada pela durona Amanda Waller (Reprodução/Warner Bros.)

A DC dá continuidade à expansão do seu universo cinematográfico com Esquadrão Suicida. O longa estreia nos cinemas com direção de David Ayer após uma conturbada passagem de “Batman v. Superman: A Origem da Justiça” pelas telonas, sob o comando de Zack Snyder. Ayer tem um bem sucedido histórico no cinema Hollywoodiano, o que inclui “Dia de Treinamento”, que deu o Oscar de melhor ator a Denzel Washington em 2002. Agora fazendo parte do universo da DC, Ayer estaria pondo em risco sua carreira ao assumir um filme de super-heróis blockbuster.

Esquadrão Suicida traz um universo repleto de psicodelia e uma trilha sonora poderosa, aguçando os sentidos do espectador desde os primeiros frames, quando vemos na tela o símbolo da Warner vestindo o colorido do pacote visual do longa. Diante do sucesso de “Vingadores: Era de Ultron” e das críticas pesadas ao ritmo de “Batman v. Superman: A Origem da Justiça”, a Warner e a DC pediram interferências no roteiro, que podem ser sentidas já no início do filme. Ayer apresenta imediatamente os personagens principais, contando suas histórias através de flashbacks. A agilidade da trama resultou num tratamento diferente para os vilões – temos Arlequina, Magia e Pistoleiro com histórias bem desenvolvidas enquanto Crocodilo, Katana e Boomerang tem suas histórias contadas em míseros segundos.

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A apresentação mais detalhada da Arlequina, Magia e Pistoleiro resultou no destaque de seus papéis em todo o filme. A primeira tinha de tudo pra conquistar o público com seu jeito engraçado e louco pela elogiada interpretação de Margot Robbie, que encarna a personagem com muito carisma, deixando o Coringa de coadjuvante – ou menos que isso.

Surpreendeu (ou não) a interpretação de Jared Leto como o Coringa. O ator, que vinha de trabalhos premiados no cinema, fez toda uma propaganda na mídia sobre a construção do seu personagem e não entregou nem metade do que prometeu. O que se sabe é que muito material do arqui-inimigo do Batman foi cortado da edição final, mas podemos tirar duas conclusões disso – 1) o corte faz parte do plano da Warner e DC de deixar a trama mais ágil e com mais ação ou 2) a participação do Coringa foi reduzida por que Leto não apresentou o que se esperava do personagem. Diante do que foi possível ver – um personagem naturalmente caricato construído de forma sem graça e forçada – prefiro acreditar na segunda justificativa.

Não é pra menos que o Coringa esteve presente no filme pra servir de escada para a ascensão da Arlequina, que tornou-se a protagonista do longa ao lado do Pistoleiro de Will Smith. O ator encarnou bem o personagem, um cara durão mas com muita humanidade no coração que toma as decisões certas nos momentos certos. Ao lado de Smith, Viola Davis entregou uma Amanda Waller durona, nada muito diferente da advogada Annelise Keating, personagem que interpreta na série de TV “How To Get Away With Murder”, só que desta vez comandando um grupo de vilões super-heróis e sem os dramas da produção televisiva (e mais ação).

Joel Kinnaman se apoderou naturalmente do seu papel, assim como Karen Fukuhara e Jay Hernandez, que trouxeram reações fantásticas de seus tímidos personagens Katana e Diablo, respectivamente. A trilha sonora viciante de Esquadrão Suicida, ainda que excessiva em alguns momentos, deu um ar de nostalgia repaginada, trazendo grandes hits de artistas conhecidos (ouviu-se de Queens a Rolling Stones, de Nirvana a White Stripes e Eminem a Skrillex).

Se Esquadrão Suicida se desenvolveu bem baseando-se numa história original, talvez tenha pecado no final quando decidiu fugir da linha e trazer uma solução rápida e fácil para o plot principal (e aquela sensação de já ter visto essa situação antes em outros blockbusters de super-heróis). Além disso, o conceito de família para o Esquadrão talvez não tenha ficado tão claro e surgiu para solucionar os problemas. Oras, embora um ou outro tenha citado que o Esquadrão seria “sua nova família”, não é que vemos em todos – Boomerang é um exemplo, sempre querendo fugir da luta e pensando em si mesmo e a própria Arlequina que por várias vezes não hesitou em abandonar os “amigos”.

Sem dúvida alguma, Esquadrão Suicida chegou para elevar o universo cinematográfico expandido da DC a outro patamar, trazendo sob a óptica do vilão a esperança de que ainda há muito pra se ver nos filmes que estão por vir, principalmente com a Liga da Justiça, portanto que seja feito um trabalho mais dedicado e caprichado, mas sem esquecer de ousar, fator que talvez tenha sido crucial para fazer de Esquadrão Suicida um diferencial dentre as produções lançadas até aqui do DCEU (DC Extended Universe).

Por: Paulo Cavalcante

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