Crítica: Quando as Luzes se Apagam

Adaptação do curta "Lights Out", que bombou na internet, Quando as Luzes se Apagam traz uma trama mais complexa e assustadora, com atuações marcantes.

Numa das primeiras tomadas do filme, é possível conhecer o espírito que aterrorizará em "Quando as Luzes se Apagam" (Reprodução/Warner Bros.)
Numa das primeiras tomadas do filme, é possível conhecer o espírito que aterrorizará em “Quando as Luzes se Apagam” (Reprodução/Warner Bros.)

Na ocasião em que Quando as Luzes se Apagam foi anunciado, bateu aquela sensação de que iam mais uma vez, como a maioria dos remakes, estragar o conceito daquilo já existia – neste caso, o curta-metragem de David S. Sandberg, “Lights Out”. A produção com duração em torno de dois minutos e meio viralizou na internet entre 2014 e 2015 e é considerada um dos melhores curtas de terror já produzidos. Depois do anúncio da adaptação de “Lights Out” pros cinemas como longa metragem, passamos a respirar mais aliviados com James Wan na produção – que tem acertado a mão na direção da franquia “Invocação do Mal”.

Enquanto o curta “Lights Out” focava numa mulher que era assombrada por um espírito que aparecia em sua casa sempre que as luzes se apagavam, o longa “Quando as Luzes se Apagam” amplia essa trama e faz do tal espírito o verdadeiro protagonista, assim como Wan fez com Annabelle e com Valik, o espiríto da freira de Invocação do Mal 2. Falando em James Wan, é possível ver diversas referências ao seu trabalho presentes na direção de Sandberg, desde os jogos com a luz e a escuridão às cenas que fazem o espectador focar num ponto e dão um susto pela aparição de algo em outro.

Quando as Luzes se Apagam conta a história de uma família que é convive com um espírito que aparece sempre no escuro e tem uma forte ligação com a matriarca (Maria Bello), fazendo com que os filhos – interpretados por Teresa Palmer e Gabriel Bateman – sofram com esse tormento. O elenco escolhido para dar vida a trama cumpriu com seu papel, presenteando os espectadores com uma forte atuação de Maria Bello e dos dois jovens atores, principalmente Bateman. Outra surpresa é o Bret, personagem de Alexander DiPersia, que faz o espectador achá-lo completamente descartável quando na verdade é muito bem utilizado na trama e passa a ser um elemento chave para o desfecho do filme.

O longa também acertou ao matar a curiosidade do público que já conhecia o curta Lights Out ao contar de forma convincente a história do espírito que permeia os 81 minutos de Quando as Luzes se Apagam. E está aí outro ponto positivo do filme – não se alongar muito evitou uma história arrastada e fez com que a produção de David S. Sandberg se tornasse ágil e sem enrolação.

Mesmo que diante de uma boa trama, é possível perceber que Quando as Luzes se Apagam imerge em alguns clichês clássicos do suspense e do terror – como o personagem que vai de encontro ao perigo, ao invés de fugir – e peca numa resolução fácil para a problemática, ainda que seja bem chocante aos olhos do espectador. Mas o longa tem seus trunfos, trazendo sempre algumas surpresas capazes de deixar o público alerta para os próximos acontecimentos e tentando montar as peças do quebra-cabeça, elementos imprescindíveis para todos os filmes de sucesso do gênero.

Por: Paulo Cavalcante

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui