Análise: ‘Supermax’ estreia com didatismo mas promete inovação na TV

Supermax estreia com texto fraco mas cresce durante o episódio, mostrando que ainda tem muito a apresentar; gênero terror e formato inovador é a grande aposta da nova série da Globo.

Na primeira prova de Supermax, participantes são trancados numa "hotbox"(Reprodução/Rede Globo)
Na primeira prova de Supermax, participantes são trancados numa “hotbox”(Reprodução/Rede Globo)

Nova produção da Rede Globo, Supermax desembarcou nas telinhas como a primeira série de terror da emissora – e talvez, da TV aberta brasileira. O gênero terror não é novo em produções nacionais – o cinema brasileiro tem apostado no gênero, que começou no trash dos filmes de José Mojica Marins (o Zé do Caixão) e teve sua retomada recentemente, com filmes como “Isolados” e “O Diabo Mora Aqui”.

A Globo aposta também no sucesso dos reality-shows para fazer do confinamento um pano de fundo para os acontecimentos de Supermax. A ideia é reunir os participantes, que ficarão confinados numa prisão de segurança máxima abandonada no meio da floresta Amazônica. Estes participantes tem algo em comum – cada um tem um problema com a justiça, resolvido ou não, e além do prêmio de R$2 milhões, procuram a redenção com a sociedade, que estará assistindo ao programa.

Primeiramente, é notável uma semelhança de Supermax com “Dead Set” (2008), minissérie britânica que também adota o formato de confinamento. Em ambas as séries, um apresentador de reality show da vida real apresenta o reality do seriado; nas duas produções, os jogadores são abandonados pela equipe do programa e terão que lutar sozinhos pela sua sobrevivência. Ainda que “Dead Set” tenha como temática um apocalipse zumbi enquanto Supermax se prende a outros fenômenos e seres sobrenaturais, é inevitável a comparação entre os dois shows.

O ex-padre Nando, personagem de Nicolas Trevijano, é o primeiro a ser perturbado pelos mistérios da Supermax (Reprodução/Rede Globo)
O ex-padre Nando, personagem de Nicolas Trevijano, é o primeiro a ser perturbado pelos mistérios da Supermax (Reprodução/Rede Globo)

O episódio piloto, apresentado nesta terça (20/09) pela Rede Globo e disponível dias antes na plataforma de streaming Globo Play, apresenta algumas falhas, mas tem seus méritos. A edição mostrou-se um tanto preguiçosa, passível de um melhor tratamento para deixar a quebra da linearidade temporal, que ocorre em alguns momentos na apresentação dos personagens, mais fluida. O roteiro é bastante preguiçoso e didático na primeira metade do episódio, o que dificultou o trabalho dos atores, que demonstraram uma atuação forçada, que não convencia o telespectador. Ainda assim, essa falha foi corrigida na segunda metade da estreia, quando os primeiros mistérios foram aparecendo e o envolvimento dos personagens foram melhor trabalhados a partir de um roteiro mais robusto e bem desenvolvido.

Supermax trouxe também personagens com histórias interessantes e os relacionou bem com os mistérios por trás da prisão abandonada, destacando-se a personagem de Cléo Pires, o policial de Eron Cordeiro, a garota de programa de Fabiana Gugli e principalmente o ex-padre interpretado por Nicolas Trevijano. Outro destaque do elenco é o canastrão e esquizofrênico Dante, interpretado por Ravel Andrade, que volta e meia lembra muito o Coringa (da série “Gotham”, da DC).

Ainda que peque pelo didatismo e clichês, Supermax conta com uma equipe de roteiristas e diretores afiados, que fizeram do episódio piloto um aperitivo para os próximos 11 episódios, mostrando que ainda há muito para ser contado e mostrado. A série promete desenvolver um gênero com abordagens nunca vistas numa produção nacional pela TV aberta, um elemento inovador que ao que parece, vai fisgar o público ao longo da trama e carregá-lo até o fim – juntando as peças do quebra-cabeça que serão espalhadas por cada capítulo, em busca do desfecho e de uma resolução para os mistérios.

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