Crítica: 12 horas para sobreviver – O Ano da eleição

Com algumas lacunas no roteiro, "12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição" foca nos efeitos sonoros para imergir o espectador na trama.

Cena do filme 12 horas para sobreviver - O ano da eleição (Distribuidora/Universal)
Cena do filme 12 horas para sobreviver – O ano da eleição (Distribuidora/Universal)

12 horas para sobreviver teve seus dois primeiros filmes tentando dialogar com o terror e, de fato, apresenta vários elementos do gênero. Já o novo filme da franquia deixa essa estratégia para trás e aposta em trabalhar com elementos do suspense e ação e foi, de certa forma, uma boa escolha. Essa transição entre o terror e o suspense é muito sutil e o que torna 12 horas para sobreviver: O ano da eleição eficaz é não usar truques baratos para associar os 2 gêneros, como em muitos filmes que se autodenominam terror sem ser. Assumir uma postura mais unilateral investindo em características de apenas um gênero é algo cada vez menos utilizado, pois as produtoras tentam atrair públicos de vários nichos e muitas vezes o filme acaba se torna uma salada confusa de conceitos.

A história do filme é muito semelhante aos anteriores. A população dos Estados Unidos tem 12 horas para fazer o que bem entender sem ser punida ou julgada por ninguém. O subtítulo do filme deixa claro que muito além do instituto animal inerente ao ser humano, essa purgação é nada mais do que uma jogada política para diminuir o dever do governo com a classe menos favorecida. O que os governantes não esperavam, ou até esperavam, era a revolta da população e o desejo de acabar com tamanha atrocidade. A única fonte de esperança é depositada na senadora Charlene Roan (Elizabeth Mitchell), candidata a presidente dos Estados Unidos, que propõe acabar com as 12 horas de terror. Claro que o atual governo vai fazer de tudo para que isso não aconteça, o que implica impedir que a senadora possa chegar no poder.

O filme tem uma dinâmica que funciona muito bem em tela: apresenta 3 histórias paralelas e fazem com que elas se interliguem em algum ponto. Até aí nenhuma surpresa. O elemento chave é fazer com que as 3 histórias tenham força e consigam cativar o público de forma independente para quando elas se juntarem exista uma catarse narrativa (não assim tão magnifico quanto parece, mas obteve um resultado satisfatório). Algo que chamou bastante atenção no filme foi a preocupação com os efeitos sonoros de forma geral, englobando a trilha sonora, edição e mixagem de som. O uso do som aumenta a carga dramática no filme de tal ponto a levar o espectador ficar na beira da poltrona.

O roteiro contém algumas lacunas e falhas que diminuem um pouco o bom resultado do filme. Algumas cenas previsíveis poderiam ser substituídas por discursos mais profundos que o tema sugere. Seria o ser humano capaz de promover algo tão grotesco? Até que ponto já não promovemos ações de mesma natureza mesmo sem nos darmos conta? Essa discussão é o principal trunfo do filme e infelizmente o que ele mais falha em explorar. Apesar de ser uma pena não entrar mais a fundo em tal temática, é simples de entender o motivo: se trata de um filme que o principal objetivo é impactar pelas cenas e não pelas discussões ideológicas, portanto só em já levantar tais questionamentos já pode ser motivo de celebração.

Por: Wilson Netto

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