IX Janela de Cinema: críticas político-sociais e cinema local marcam abertura

Festival de cinema de maior público do estado, Janela Internacional abre sua 9ª edição com filmes que criticam as aflições da vida e o descaso da política com os cidadãos.

Equipe de realizadores do longa Animal Político" se apresenta no IX Janela Internacional de Cinema (Foto: Victor Jucá)
Equipe de realizadores do longa Animal Político” se apresenta no IX Janela Internacional de Cinema (Foto: Victor Jucá/Facebook do Janela)

O Janela Internacional de Cinema do Recife abriu os trabalhos da sua nona edição nesta sexta-feira (28/10) no Cinema São Luiz. A maratona cinematográfica acontece durante dez dias num grande encontro do cinema clássico com o contemporâneo e permite uma relação entre espectadores, cinéfilos e realizadores.

As portas abriram logo cedo com uma sessão especial da ABBRACINE, que apresentou o filme “Eles Não Usam Black-Tie” (1981) de Leon Hirzman, seguida de debate com Luiz Joaquim, curador do Cinema do Museu. O filme está listado no livro “100 Filmes Brasileiros”, que será lançado durante o festival.

Como já é de praxe no Janela Internacional de Cinema do Recife, a noite de abertura contou com dobradinhas entre os seus destaques. A primeira teve início pouco antes das 19h com a exibição do curta Roteiro Sentimental do Primeiro Cineasta, produção de Walfredo Rodriguez que deixou o público encantado ao revelar a beleza do Recife em pleno carnaval de 1923. Desde os locais mais conhecidos da cidade à animação do povo recifense daquela época a desfilar nos carros decorados para a festividade, o curta mudo e em preto e branco surpreendeu ao revelar que a metrópole estava mais vida do que nunca há quase cem anos atrás.

A programação seguiu com o primeiro filme da Mostra Especial do Janela – Animal Político, primeiro longa de Tião, chega a sua cidade berço após uma bem-sucedida passagem pelo Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, onde foi exibido. Tião carrega na bagagem dois prêmios no Festival de Cannes pelos curta-metragens “Muro” e “Sem Coração”, esse último em parceria com Nara Normande. Em “Animal Político”, o cineasta traz uma perspectiva provocativa, que força o público a refletir e deixa margem para diversas interpretações. A cada ato, é possível identificar um protesto a normatização, a busca pelo sentido da vida e referências que marcaram a história do cinema.

"Animal Político", longa de Tião, tem como protagonista uma vaca (Foto: Victor Jucá)
“Animal Político”, longa de Tião, tem como protagonista uma vaca (Foto: Victor Jucá/Facebook do Janela)

A primeira noite do IX Janela Internacional de Cinema encerrou com outra dobradinha, dessa vez com um curta pernambucano e um longa estrangeiro. Primeiro, O Delírio é a Redenção dos Aflitos arrancou aplausos da plateia ao fim da sua exibição. Este é o primeiro curta de Felipe Fernandes, cineasta pernambucano que trouxe o filme depois de uma brilhante carreira na Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes, e no Festival de Brasília, onde ganhou três prêmios (Melhor Direção, Melhor Direção de arte e Melhor Roteiro). Brilhante também foi a atuação de Nash Laila, protagonista do filme, que engrandece sua carreira artística desde “Deserto Feliz” e “Amor, Plástico e Barulho”.

Por fim, as telas escureceram para então dar espaço ao cineasta Ken Loach, que reafirma sua experiência com uma carreira de mais de 50 anos através de seu mais recente longa, Eu, Daniel Blake. Provocativo e intrigante, o filme é um protesto recorrente pelos direitos sociais, trazendo atuações emocionantes de Dave Johns como o protagonista Daniel e da atriz Hayley Squires.

O IX Janela Internacional de Cinema do Recife segue até o dia 6 de novembro no Cinema São Luiz e Cinema do Museu. Confira a programação completa do festival.

 

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