Crítica: A Chegada

A Chegada, primeira aposta do cineasta canadense Denis Villeneuve na ficção-científica, é visualmente bonito e explora um tema interessante, mas carece de melhor desenvolvimento.

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Paulo Cavalcante
Paulo Cavalcantehttp://www.cafedeideias.com
Professor, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a sétima arte e a dramaturgia para as diferentes telas.

Amy Adams estrela "A Chegada" (Reprodução/Sony Pictures)
Amy Adams estrela “A Chegada” (Reprodução/Sony Pictures)

Depois de uma sequência de thrillers, como os elogiados “Os Suspeitos” (2013) e “Sicario: Terra de Ninguém” (2015), o cineasta canadense Denis Villeneuve decidiu embarcar num novo gênero. A ficção de científica de A Chegada vem como um desafio para o diretor, que sai de sua linha de conforto, que o fez tornar-se reconhecido.

A Chegada se passa no momento em que naves alienígenas chegam à Terra em diversos lugares do planeta – mais precisamente, em doze pontos. O governo das diversas localidades precisam saber quais as verdadeiras intenções dos extraterrestres, e é aí que a Dra. Louise Banks – interpretada por Amy Adams – é chamada pelo governo americano para ajudar a decifrar a língua desses visitantes, já que a moça é especialista em linguística. Ao seu lado, trabalhará o matemático Ian Donnely, papel de Jeremy Renner.

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A trama em sua maior parte aposta na relação entre Louise e os aliens, um tanto obsessiva e pouco crível diante de motivações pouco explícitas. Eric Heisserer em seu roteiro procura ligar a história pessoal da personagem com a invasão alienígena, permitindo na introdução do filme que o espectador já preveja o seu desfecho – caso contrário, o que vem a seguir não dará muitas pistas até que, pouco mais além da metade do longa, as pontas comecem a ser ligadas e as intenções dos aliens comecem a ser revelados. É a partir daí – com tudo entregue ao espectador – que Louise corre contra o tempo para evitar que uma guerra se instaure, numa caminhada para uma conclusão onde o roteiro, um quebra-cabeça de cronologia não-linear, se organiza resultando num final o mais didático possível.

Com uma forte e bem elaborada discussão sobre viagem no tempo e perdas pessoais, a produção peca ao se basear no envolvimento dos personagens com a língua dos extraterrestres, criando uma interessante linguagem de códigos, mas pouco explorá-la, forçando um deciframento rápido diante de um roteiro corrido. Em contrapartida, Bradford Young faz um trabalho excelente na fotografia do longa que associada aos planos bem enquadrados de Villeneuve, fazem de A Chegada um filme visualmente belo e com uma proposta interessante, mas passível de um desenvolvimento melhor.

Por: Paulo Cavalcante

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